Neon trouxe caças e caçadoras à passarela

A Neon de Dudu Bertholini e Rita Comparato apresentou sua coleção Bichos – Caças e Caçadoras no penúltimo dia da SPFW. Para este inverno muitas estampas e cores, como é de se esperar das criações da dupla.

Looks de caçadores, com bota e calça de montaria, contracenam tanto com saias e tailleurs como com silhuetas livres. A mistura de materiais vai desde os mais pesados couro, camurça, lã, tweed, feltro e flanela até o moleton, o plush, o crochê, o tricô, a seda e o cetim.

E como não podia deixar de faltar em coleção que fala de caças e caçadores, a pele aparece mais uma vez na forma sintética. Confira o vídeo.

Huis Clos: clean com pequena extravagância

A Huis Clos apresentou uma coleção elegante e clean neste quarto dia da SPFW. Cores sóbrias tomam conta do inverno de Clô Orozco e Sarah Kawasaki. Destaques para os casacos-vestidos. O toque de extravagância ficou por conta do uso de pelessintéticas, claro! Confira.

Simone Nunes: consciência + base técnica

Há 4 anos a estilista Simone Nunes pesquisa materiais e processos sustentáveis na indústria da moda. Já fez algumas parcerias neste sentido, mas hoje se diz vacinada. Segundo ela, muita gene está no mercado e fala que faz algo que não faz. Só pelo marketing. É exatamente o chamado greenwash. Então, Simone continua pesquisando mas no final das contas é a sua consciência que decide o que entra ou não na coleção.

Um exemplo que deu foi sobre a pele de peixe. Muitas vezes a pele do peixe usada na indústria alimentícia virava lixo. O mesmo acontece com carneiros (presente na sua passarela) e outros animais. O que fazer? É melhor deixar virar lixo e com isso não incentivar a matança desses animais ou o melhor é ajudar a não gerar mais lixo e aproveitar tudo do animal?

A Simone confessa que não compra pele ou couro de empresas que criam o animal e matam somente para virar roupa. Ela dá preferência sempre para o que foi descartado por outra indústria, no caso a de alimentos é a mais comum.

Valdemar Iódice desenvolveu uma coleção baseada na sustentabilidade e no Estado do Amazonas. Mesmo assim sua passarela trouxe couro de jacaré e peixe. Ambos também usados na indústria de alimentos e certificados pelo Ibama. Pronto, caímos de novo na discussão do uso da pele verdadeira ou sintética.

Pele verdadeira deve ser sempre vetada? Se sim, estamos dizendo não inclusive ao tão difundido couro de vaca. E se elas vierem de descarte de alimentos? Aliás, para se alimentar vale matar um animal?

Essa é uma discussão difícil, até porque para entrar nela todos temos que deixar a hipocrisia de lado. Enfim, mais uma questão para pensar à noite com a cabeça no travesseiro.

No segundo dia, as peles são sintéticas

O segundo dia da São Paulo Fashion Week não trouxe novidades eco-fashion, mas os desfiles foram lindos. E continuando a discussão levantada no domingo sobre o uso de pele verdadeira (a Colcci trouxe pele de coelho certificada para a passarela), na segunda-feira elas também marcaram presença. Mas desta vez, foram as sintéticas que reinaram.

Alexandre Herchcovitch usou em detalhes, como nas margas, punhos e barras das peças inspiradas no Leste Europeu. A Maria Garcia e a Cori trouxeram peças inteiras de pele fake. “Eu não gosto de pele verdadeira. E acho que hoje em dia tem opções incríveis, então não há necessidade de usá-las”, revela Andrea Ribeiro, estilista da Cori.

Para quem gosta desta estética, a imitação é a alternativa perfeita.
Divirta-se com as imagens destes desfiles.

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