Crowdtudo: economia do compartilhamento

Assim como falei em post anterior, A Natura criou o movimento Sou para Todos Nós. E o segundo tema abordado foi o crowdfunding, crowdsourcing e crowdlearning, enfim, o crowdtudo, ou economia de compartilhamento. Muita gente já conseguiu tirar um projeto da ponta do lápis com a ajuda (leia-se dinheiro) de pessoas desconhecidas ou seguiu um sonho por entrar numa vertente colaborativa. Dá uma olhada em quem já está fazendo isso.

O consumo te consome?

Consumo consciente é um tema cada vez mais presente no dia a dia das pessoas. Mesmo para aqueles que não se importam com o destino do lixo ou com tópicos mais abrangentes como sustentabilidade, o acúmulo de tranqueiras em casa é algo que incomoda as pessoas. E isso só existe pois o mundo compra muito mais do que precisa e do que usa.

Para estimular a reflexão antes, durante e depois do consumo, a empresa de cosméticos Natura criou o movimento “Sou para Todos Nós”. A ideia é levar para o maior número de pessoas esta questão, sem apontar o que é certo ou errado. Mas mostrando experiências e opiniões de pessoas que estão engajadas no assunto.

Para isso foi escolhido um lugar bem democrático: a internet. Através de Hangouts – bate papos virtuais -, grupos de convidados discutiram diversos temas do universo do consumo. Cada encontro durou cerca de uma hora, e um minidocumentário nasceu de cada uma dessas conversas.

Fui convidada para participar do pontapé do projeto, cujo tema foi “O consumo te consome?”. Confesso que gosto de consumir, mas felizmente o consumo não me consome! Veja abaixo o minidocumentário ou, se tiver tempo, o bate-papo na íntegra. E aí, o consumo te consome?

Ecodesign não é artesanato

Ontem (24) à noite foram anunciados os vencedores do prêmio IDEA Brasil 2010, que traz entre suas categorias o Ecodesign. Os vencedores e a relação entre sustentabilidade, design e consumo podem ser vistos na entrevista abaixo com Joice Joppert Leal. Ela é diretora executiva da organização Objeto Brasil, que representa no País o prêmio internacional IDEA Awards e tem como objetivo a promoção do design brasileiro no Brasil e no exterior.

Como você vê o mercado de design em relação à preocupação com a sustentabilidade?
Cada vez mais a sociedade está preocupada com a sustentabilidade. É um fator determinante na compra de um produto. Isso sem dúvida reflete no mercado de trabalho dos designers.

Os designers vêm se preocupando mais com esta questão?
Sim, os designers estão atentos a isso. E, como os clientes também têm essa preocupação, há um interesse convergente.

Qual o papel do design na determinação do impacto ambiental de um produto?
Numa indústria, o designer trabalha numa equipe multidisciplinar ao lado de engenheiros de produtos e de processos. Ele vê como inserir as questões ligadas à sustentabilidade, como por exemplo, na escolha de materiais renováveis.

O que você destacaria nos produtos vencedores da categoria Ecodesign?
O que é marcante é a diversidade. Temos a Linha Ekos de Sabonetes da Natura, a e-boards – uma prancha de surf -, uma bicicleta de madeira e um reciclador de óleo de cozinha.

Você acredita que os designers que se inscrevem em outras categorias também têm a preocupação com o uso de materiais sustentáveis ou com baixo impacto ambiental?
Sim, podemos ver isso em várias categorias diferentes, como Embalagens, e até em Transportes, com o carro-conceito da Fiat.

Hoje em dia ecodesign não é mais sinônimo de artesanato e estética hippie?
É muito importante deixar claro que quando falamos em ecodesign, estamos falando em produção industrial. É algo bem distinto do artesanato, produzido em pequena escala e manualmente.

Quando você acha que ocorreu esta mudança e quais foram os fatores determinantes?
Há muitos anos que a indústria vem se preocupando com a eficiência energética e a utilização de matérias-primas renováveis. Isso se deve em parte à realização no Brasil da ECO 92, quando se difundiu mais a relevância da preservação do meio ambiente.

A tecnologia industrial ajudou?
Sim, ajudou porque temos equipamentos que facilitam o plantio e a colheita de matérias-primas e equipamentos que economizam energia, além daqueles voltados à reciclagem de produtos. As atividades em centros de pesquisa foram fundamentais. A maior interação dos designers e indústrias com os Centros de Pesquisa e Desenvolvimento também é responsável pelas mudanças.

Você acredita que inovações são feitas baseadas em antever necessidades? Se sim, acha que é por isso que cada vez mais estão surgindo inovações com design que preservam o meio ambiente?
Há vários fatores. Um deles é que com a maior divulgação e utilização do conceito design, os profissionais têm mais espaço para pensar em inovações, procurando criar necessidades. Outro fator é a interação maior nas indústrias do setor de produção e design com as áreas comercial e de marketing. Hoje é politicamente correto pensar em produtos sustentáveis, o que também está ligado ao trabalho das áreas de marketing e comercial.

Como os lojistas e os consumidores finais veem os produtos de ecodesign? É um fator que lhes interessa ou ainda muito distante?
Os lojistas valorizam o ecodesign porque há uma demanda por ele e uma consciência maior a respeito do assunto.

Confira as fotos dos vencedores do IDEA Brasil 2010 na categoria de Ecodesign – ouro, prata e dois bronzes respectivamente.
natura1
e-board
bicicleta
reciclador

Livro e dicas de arquitetura sustentável

Hoje é o lançamento do livro “Epigram + FGMF Casa Natura” (Editora C4) que traz os projetos de branding e arquitetura da Casa Natura, espaço criado pela empresa brasileira de cosmético para ser um centro de relacionamento com as suas consultoras e um local de degustação e experimentação mas que, infelizmente, não vende os produtos da marca.

A parte de comunicação foi desenvolvida pela Epigram. Já o projeto de arquitetura é assinado por Fernando Forte, Lourenço Gimenes e Rodrigo Marcondes Ferraz. Para quem se interessar por desenvolvimento de marca e/ou por arquitetura sustentável, vale passar na FNAC Pinheiro a partir das 19h.

livro-casanatura

Mas para não deixar você só na vontade, conheça 10 dicas sustentáveis para aqueles que vão construir a própria casa – sugeridas pelo escritório de arquitetura Forte, Gimenes & Marcondes Ferraz (FGMF):

1. Em primeiro lugar, é necessário um projeto de arquitetura completo, honesto e competente. Contratar bons profissionais, elaborar o projeto com calma e de forma profunda e detalhada, devidamente compatibilizado com as demais disciplinas de projeto: elétrico, hidrelétrico, ar-condicionado, entre outras;

2. Respeito pela cidade: observar o impacto da construção no entorno, desde a fase de projeto (interferência nas vistas e sombreamento dos vizinhos e da rua, criação de espaços abertos para o exterior, evitar muros que criem um espaço urbano de pior qualidade e abrir jardins, por exemplo) até a construção – atenção à limpeza do entorno da obra, logística de caminhões, barulho e outras interferências com a vida dos vizinhos;

3. Usar materiais reciclados e/ou recicláveis. Por exemplo, todo o material da estrutura da Casa Natura é reciclável (aço), assim como boa parte dos fechamentos (vidros, revestimento metálico, etc);

4. Preferir, sempre que possível, uma construção limpa e seca. Isso é definido em projeto, na opção dos sistemas construtivos (estruturas pré-moldadas de concreto ou aço, dry-wall, entre outros), e continua durante a obra com um planejamento adequado de execução e gestão do canteiro. Além de ser mais rápida, a obra tem menos desperdício e gera menos entulho;

5. Aproveitar o clima brasileiro que é generoso e permite amplas aberturas e ventilação cruzada. Atenção para o adequado sombreamento e a correta orientação conforme os ventos do inverno e do verão. O resultado pode ser uma bela conexão entre espaços externos e internos, aumentando não só a percepção da dimensão dos espaços, mas também a qualidade do resultado final.

6. Aproveitar os recursos de forma otimizada: sistemas de redução de consumo de água e energia elétrica, reaproveitamento de águas pluviais, redução do consumo de ar-condicionado pela correta disposição de aberturas para ventilação cruzada, sombreamento e uso de plantas como elementos de resfriamento.

7. Redução do impacto nas infraestruturas urbanas: uso de teto jardim, áreas permeáveis no térreo e reuso de água reduzem a contribuição da casa no sistema de drenagem urbano, o que contribui para a mitigação de enchentes. Da mesma forma, o tratamento de efluentes trata o esgoto antes de jogá-lo na rede, diminuindo o custo de tratamento para a cidade. A economia de energia também permite uma rede menos sobrecarregada.

8. Redução do custo na manutenção: o uso de materiais laváveis, como o revestimento de aço pintado, diminui o custo de manutenção e também reduz o uso, no futuro, de novas demãos de tintas, vernizes e outros produtos poluentes.

9. Paisagismo adequado ao clima: a escolha de espécies locais adequadas ao nosso clima e regime pluviométrico permite não só um paisagismo coerente com o lugar, como também otimiza o consumo de água e estimula um equilíbrio de pássaros, insetos e outros animais originais da região.

10. Escolher uma localização que permita o deslocamento a pé para atividades cotidianas, próximo ao sistema de transporte público da cidade e/ou com topografia adequada à bicicleta. É importante as pessoas se conscientizarem de só usarem o carro em última instância – além de evitarem poluir o ar e congestionar o tráfego, ainda trarão benefícios à saúde, com redução do estresse e melhor condicionamento físico.

Pesquisa sobre marcas “verdes”

O mercado “verde” cresce dia a dia e cada vez mais novas pesquisas comprovam este fato. A 2010 ImagePower® Green Brands Survey entrevistou 9 mil consumidores de 8 paísesAlemanha, Austrália, Brasil, China, Estados Unidos, França, Índia e Reino Unido.

A maioria dos consumidores (60%) quer comprar produtos de empresas ambientalmente responsáveis e mais de 70% dos consumidores do Brasil, da Índia e da China pretendem gastar mais com produtos “verdes” nos próximos anos.

Os consumidores brasileiros se dizem mais preocupados com o estado do meio ambiente (72%) do que com a economia (25%), fato que se repetiu somente na Índia (59% meio ambiente versus 37% economia). Todos os outros países estão mais preocupados com o desenvolvimento de suas economias.

Os brasileiros, contudo, são os que mais acreditam em propaganda de produtos “verdes” e 91% acham que elas são importantes para informar o consumidor e explicar seus benefícios. Já os franceses são mais céticos e não acreditam em propaganda “eco” ou “bio”, como eles mesmo dizem.

brazil-survey

Outra parte da pesquisa mostrou quais empresas os consumidores enxergam como as mais “verdes” nos seus países. No Brasil, o primeiro lugar ficou para a marca de cosméticos Natura, que tem forte preocupação e atuação sócio-ambiental e comunica frequentemente estes valores para os consumidores. Veja abaixo as 10 empresas mais verdes de cada país segundo os consumidores. Para ler toda a pesquisa, clique aqui.

green_brands

ImagePower® Green Brands Survey é um produto fruto da parceria entre o escritório de relações públicas Cohn&Wolfe, a consultoria Esty Environmental Partners (EEP), a consultoria estratégica de marca Landor Associates e a empresa internacional de pesquisa Penn Schoen Berland.

Veja abaixo o vídeo oficial falando sobre esta pesquisa.

Related Posts with Thumbnails