Coletivo de moda sustentável em SP

Sei que estou super atrasada com este post, mas antes tarde do que nunca, né? No sábado passado foi o lançamento do Coletivo Moda Sustentável na Galeria Mundo Mix, nos Jardins em São Paulo. Este projeto idealizado pela apresentadora e stylist Chiara Gadaleta faz parte de um evento maior, o Setembro Verde da Matilha Cultural.

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A Chiara escolheu a dedo 10 estilistas que de alguma maneira apoiam e fazem moda sustentável e convidou a gente (posso falar assim pois a verdinha & básica foi incluída) para participar do projeto. Escolhemos algumas peças para serem vendidas na Galeria Mundo Mix. Mas o mais legal não é isso. O melhor foi o encontro de todos no sábado passado.

estilistas

Foi bate papo, palestra e conversa sobre tema que todos que estavam lá amam e entendem. Foi realmente muito legal. Conheci pessoas novas e algumas que são fãs do Verdinho. Vocês não sabem como fico feliz com isso.

Bom, mas parando o blá blá blá por aqui, vou mostrar algumas fotos do que está rolando por lá. O corner do Coletivo Moda Sustentável estará na Galeria Mundo Mix até o dia 10 de outubro. Ah, e para quem ainda não foi nesta loja, recomendo. Está o máximo!!!! Linda e super cool.

Em tempo, gravamos um vídeo lá e em breve (quando estiver editado e nas minhas mãos) eu posto aqui para vocês verem!

Luxo é eco. Fast-fashion, não

Por princípio o luxo é eco-friendly. Ele aposta no tradicional (que não está preso a rápidos modismos) com boa qualidade (dura uma vida inteira) que custa caro (não dá para comprar a rodo) e feito por artesãos que ganham bem pelo seu trabalho.

Já o conceito fast-fashion é por definição o vilão da sustentabilidade. É a moda descartável, que muda a cada estação, feita com material barato e de baixa qualidade, e por isso facilmente vira lixo. Sem contar que a mão-de-obra usada muitas vezes é de países em desenvolvimento e que acaba sendo explorada.

É claro que em ambos os casos existem as exceções, ou seja, as marcas de luxo que usam mão-de-obra barata e não qualificada de indústrias asiáticas e as redes de fast-fashion que dão boas condições de trabalho e remuneração aos seus funcionários, mesmo que em países mais pobres para ajudar o desenvolvimento local.

Mas em geral quem está em vantagem na era da sustentabilidade é, com certeza, o mercado de luxo. Consumir consciente é comprar menos, sem desperdício, produtos que duram mais, que tenham sido produzido de maneira ética, respeitando o meio ambiente e o trabalhador. Mesmo para as empresas deste mercado que estão fazendo algo errado é mais fácil entrar no eixo eco-correto. Já que um produto de luxo custa caro mesmo, dá para fazer tudo certinho, diminuindo o impacto ambiental e gerando benefícios sociais.

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Agora como vender camisetas a R$ 10 ou R$ 15 fazendo tudo certo? Este valor não paga nem uma mão-de-obra descente, fora transporte, alimentação, luz e água da empresa, além, claro, do tecido. Não é mais fácil fazer peças boas que duram mais tempo? Elas vão custar mais caro, mas terão um custo benefício maior. Pense nisso como consumidor.

Diversas peças e acessórios são curinga no guarda-roupa feminino e masculino. Por que não ousar somente em algumas criações contemporâneas e comprar o básico e o atemporal de boa duração? Optar por produtos baratos e vagabundos ou mais caros e com qualidade é também uma questão de cultura (e de bolso, claro).

Vamos comparar as francesas e as inglesas. As primeiras têm um guarda-roupa enxuto, com poucas e boas peças. Já as inglesas adoram tudo que é novidade, avant garde. Não é à toa que marcas de fast fashion se proliferam cada vez mais pelas ruas de Londres – muitas delas tenho que admitir que têm boas iniciativas a favor da sustentabilidade, com preocupações social e ambiental.

Mas aqui a questão é mercadológica. Em um mundo onde a sustentabilidade veio para ficar, as empresas têm de saber que amanhã, quando esta consciência se transformar em atitude do consumidor (e isso vai acontecer), os produtos de fast-fashion terão um impacto negativo de vendas. E o mercado de luxo, se souber aproveitar, vai ter um outro boom e ganhar novos consumidores.

É claro que estamos falando por enquanto de consciência para os consumidores das Classes A e B. Até porque as Classes C e D só agora estão tendo o prazer de conseguir consumir e vai ser difícil eles abrirem mão deste luxo conquistado a curto prazo. Mas isto já é um tema para um próximo post, que será publicado amanhã aqui no Verdinho Básico.

Veja abaixo vídeo com trecho do debate sobre comportamento verde promovido pelo Estadão e pela Livraria Cultura que fala sobre a tendência do consumo mundial.

Em tempo, leia matéria da jornalista Andrea Vialli publicada hoje na seção Planeta do jornal O Estado de S. Paulo. É sobre compra de roupas de segunda mão ser tendência do consumo consciente. Clique aqui para ler.

Comércio justo na moda

Quem visitou o Fashion Business na semana passada se surpreendeu com a aglomeração de curiosos em frente ao BSC – Brasil Social Chic, estande de produtos de Comércio Justo.

Os que nunca tinha ouvido falar na versão brasileira do Fair Trade se espantavam pelo bom gosto da decoração do espaço, tudo simples e chic, e das peças expostas, realmente lindas! Quem já conhecia o Comércio Justo, comemorou: finalmente um trabalho sério no Brasil.

As bolsas de fibra de bananeira, de fibra de taboa e roupas com tecidos ecológicos produzidas em técnicas de costura artesanal por cinco grupos de costureiras e artesãos moradores de áreas de risco da grande Rio não perdiam em nada para as grandes marcas.

E, claro, iam muito além do simples comércio. Confecções de Comércio Justo não apenas fazem moda “de verdade”, mas focam na produção e comercialização consciente tanto ambiental quanto socialmente falando.

Além dos visitantes poderem comprar os produtos (eu mesma encomendei um vestidinho produzido pela Coosturarte, de Nova Iguaçu), estilistas podiam consultar um “book” com as técnicas dos grupos para estilistas que desejem incluir alguma delas em suas coleções. E tudo baseado, tanto os serviços quanto os produtos, nos princípios do Comércio Justo.

A BSC – Brasil Social Chic – projeto criado pela Ong Onda Solidária é quem garante que o produto é feito de forma justa, assegurando a melhoria na qualidade de vida das pessoas.

Para quem quiser saber mais sobre Comércio Justo, vale dar uma navegada nos seguintes sites e aguardar uma série de notas sobre o tema aqui no Verdinho Básico.

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