Um caos anunciado

Todo comeco de ano é a mesma coisa: casas desbarrancam e pessoas morrem, favelas ficam inundadas e os moradores perdem tudo e carros ficam submersos. Enfim, é um caos anunciado. Será que os diversos setores não vão se mobilizar para tentar minimizar o estrago dessas chuvas? Que tal um planejamento amplo que envolva ações de curto, medio e longo prazo?

Ter passado por um furacão e por algumas tempestades de neve aqui nos Estados Unidos me fez perceber que é possível sim garantir a segurança mesmo em situações extremas. Mas para isso é preciso um mínimo de planejamento e organizacão do governo em parceria com a mídia, com as empresas e com a sociedade.

O ponto de partida neste caso é simples: olhar a previsão do tempo, acreditar nela e planejar o seu dia. Se você é autônomo ou tem alguma flexibilidade de horário, por que não se programar para já estar em casa quando a chuva começar?

Aqui, empresas e escolas fecham mais cedo (ou nem abrem) nos dias que as condições climáticas são mais críticas. Funcionários trabalham de casa, com mais segurança e tranquilidade. E as criancas têm o dia de folga. Por que o mesmo não pode acontecer em uma cidade como São Paulo para inúmeros cargos e funções nesses casos de emergência? Para isso, basta que as empresas estejam preocupadas com o bem-estar dos seus funcionários.

Já o papel da mídia americana nestas situações é mostar como se preparar para tal problema, informar sobre a previsão do tempo e mudanças de condições a todo momento. Televisão e rádio funcionam como um agregador de informações para ajudar a população, trazendo updates do trânsito, das linhas de trem, metrô, aeroporto, regiões mais afetadas, etc. Com certeza o mesmo poderia estar na pauta das redações brasileiras.

E o governo, qual seu papel em dias de chuva no Brasil a não ser o de tentar resolver os problemas já causados pela enchente? Anunciar um toque de recolher mais cedo, construir piscinões e garantir parâmetros de segurança para o escoamento de água nas novas obras já seria um bom começo.

Mas o triste é que a dificuldade de planejamento e de adotar medidas preventivas da cultura brasileira faz com que milhares de pessoas sofram todo ano por causa do mesmo problema. Errar uma vez é humano, mas insistir no erro é burrice. Não acham?

IMG_1702

(Matéria escrita por mim e publicada na edição de março de 2013 da revista valeparaibano)

Até que ponto a facilidade e praticidade valem a pena?

Na intenção de dar conta de fazer tudo na vida corrida que temos hoje, o ser humano resolveu que a praticidade deve ser adotada sempre que possível mas esqueceu de analisar se ela realmente é a melhor saída em todos os casos. Ou seria ainda uma preguica que tomou conta da humanidade que se acostumou a facilitar todas as suas tarefas?

É claro que é mais fácil jogar todo e qualquer lixo em um cesto só. Mas desta forma é impossível reciclar e aproveitar a parte orgânica. Para isso, é preciso se organizar e separar vidro, plástico, papel, alumínio, resíduos compostáveis, óleo de cozinha, pilhas e baterias velhas e dar o destino final apropriado para cada um.

É trabalhoso? Sim, muito mais do que descartar em um só recipiente. Mas, apesar de não ser tão prático, vale a pena evitar a poluição e o acúmulo nos lixões destes materiais que podem ser reciclados. O mesmo raciocínio vale para outras maneiras de cuidar do meio ambiente. Pode ser mais trabalhoso, mas a preservação é uma ação benéfica para o futuro, para as próximas gerações.

Muita gente pode achar isso muito distante da própria vida. Por isso resolvi pegar um exemplo bem concreto e próximo, que aliás é o que mais tem me incomodado. Uma mãe quer sempre o melhor para seu filho, certo? Então, por que muitas, para ser mais prático e fácil, resolvem não amamentar o pimpolho? Aqui nos Estados Unidos essa mania é ainda maior do que no Brasil, e começou na década de 60.

Agora, campanhas em prol da amamentação são feitas a fim de reverter esta realidade. Amamentar realmente demora mais que dar mamadeira. Mas, se os beneficios do leite materno são tantos, por que abrir mão disto em nome da comodidade? O que pode ser mais importante do que desenvolver o sistema imunológico do próprio filho?

Se pararmos para pensar, no passado resolvemos facilitar inúmeras tarefas que hoje pagamos de alguma maneira por isso, seja com a nossa saúde, a do nosso filho ou a do planeta. O fast food é uma prova disso. O preco? Obesidade infantil crescendo vertiginosamente. Enfim, a bola foi levantada. Convido todos os leitores a repensarem um pouco as suas ações e colocarem na balança até que ponto a praticidade vale a pena em médio e longo prazo.

(texto escrito por mim e publicado na edição de agosto de 2012 da revista valeparaibano)

Lixo compactado: menos gasto, mais limpeza e mais saúde

“Moro, num pais tropical, abençoado por Deus, e bonito por natureza. Mas que beleza! Em fevereiro, tem Carnaval, tem Carnaval…” Quem nunca dançou ao som da música de Jorge Ben Jor e teve orgulho de ter nascido no Brasil e de promover a maior festa do mundo? Apesar de ter esta sensação, confesso que existe um senão que me incomoda muito: o lixo gerado nas ruas, avenidas, parques, praças, e sambódromos. E todo ano, depois da Quarta-feira de Cinzas, matérias em jornais e TVs mostram o “estrago” da folia.

Por isso, resolvi abordar na coluna deste mês uma solução inovadora que conheci em Chicago e em Nova York no ano passado e vejo que está cada vez mais sendo adotada por cidades de New Jersey, onde estou morando. Destinada a locais abertos com alto número de transeuntes, está sendo instalada em espaços públicos dos Estados Unidos e de mais 30 países.

O Big Belly Solar é um recipiente coletor de lixo com compactador interno de resíduos que usa somente a energia do sol para o seu funcionamento. Ou seja, ele amassa os detritos e é capaz de abrigar 5 mais vezes lixo no mesmo cesto. Existe a versão para lixo orgânico e para lixo reciclável. Entendeu a magnitude desta invenção? Num primeiro momento pode parecer simples e bobo, mas vamos pensar em tudo que está por trás disso.

A coleta de lixo nas ruas, parques, praias, instalações e outros locais públicos é uma atividade extremamente cara e poluente, pois precisa de veículos trafegando diariamente que emitem gases. Contudo, cada vez mais a população quer – e com razão – que este serviço tenha um nível satisfatório, sem gastar muito dinheiro dos impostos que pagamos e, de preferência, usando práticas mais sustentáveis. Afinal, quem não sonha com uma cidade limpa e despoluída?

Pois bem, seguindo o raciocínio, o primeiro ponto positivo deste compactador de lixo é que ele reduz drasticamente a freqüência da coleta de resíduos gerando uma economia de 70% a mais de 80%. Isso sem falar no benefício ambiental.

A cidade da Filadélfia, na Pensilvânia, economiza 900 mil dólares por ano após a substituição de 700 cestos convencionais pela versão com compactador solar, uma previsão de 13 milhões de dólares em dez anos. Em 2009, o município coletava 17 vezes por semana o lixo em três turnos de trabalho. Um alto custo e uma alta emissão de gases. Em 2011, depois de adotar o produto, o resíduo é recolhido em media 2,5 vezes por semana em somente um turno.

Além da economia financeira e ambiental, o design deste “cesto de “lixo” propicia que todo e qualquer resíduo fique hermeticamente fechado, evitando odores e prevenindo que pombos, ratos e outros animais tenham acesso ao mesmo, o que pode acarretar na geração de alto nível de E.Coli e outras doenças. Ou seja, evita um problema de saúde pública ao manter a área limpa. Pensando nisso, a cidade de Chicago, em Ilinóis, adotou o compactador solar nas suas “praias” ao redor do lago Michigan, o que evita que as mesmas sejam fechadas devido aos problemas de pestes causados por aves que se alimentam dos resíduos no verão.

Assim como as pequenas atitudes geram grandes mudanças, as pequenas invenções são capazes de fazer uma enorme diferença a favor do planeta, do bem-estar e do bolso. Já que o Brasil importa tantas ideias internacionais, por que não adotar mais esta? Não sei se resolveria o problema do lixo do Carnaval, mas com certeza este seria minimizado. E deixaria locais públicos limpinhos o resto do ano. Afinal, nosso país é bonito por natureza, mas temos que mantê-lo, não?

(coluna escrita por mim e publicada em fevereiro de 2012 na revista valeparaibano)

ONU faz retrospectiva 2011

Antes de começar os posts de 2012 resolvi colocar um vídeo muito bom que a Organização das Nações Unidas fez. É uma retrospectiva de 2011. Fala de conflitos, acidentes naturais, fatos, dilemas socioambientais e problemas que aconteceram em vários países do mundo.

No fim, o maior desafio de 2012: economia verde. E a ONU declarou este o Ano Internacional da Energia Sustentável. O vídeo também menciona a Rio +20, evento que será sediado no Rio de Janeiro 10 anos após a Eco 92, também realizada na capital fluminense.

“Sete bilhões de pessoas precisam de energia limpa para ler, de uma agricultura sustentável para se alimentar e de oportunidades e trabalhos decentes para viver uma vida digna e próspera”, finaliza o documentário, que tem a duração de 12 minutos.

Assista! Vale ressaltar que contém imagens fortes.

Porque estamos todos conectados…

Sabe aquelas pessoas que acham que suas ações, sejam para o bem ou para o mal, não causam impacto direto no mundo e na vida dos outros? Estou falando daqueles que falam que não vão economizar água ou luz porque os outros não fazem o mesmo, então não adianta!

Pois é, estas pessoas deveriam começar a pensar que estamos todos conectados e desrespeitar o meio ambiente ou o próximo traz malefícios para nós mesmos. Afinal, elas acham que tanta enchente e furacões mundo afora são resultado do quê? Seria demais pedir para elas pensarem se isso não é reação a uma série de ações humanas? (lembra da aula de física: toda ação traz uma reação?)

Enfim, tenho certeza que se você lê o Verdinho, você sabe que estamos todos conectados e que nossas ações afetam o planeta, os outros e nós mesmos. Então, abaixo, veja ao vídeo de 40 segundos do WWF que resume essa ideia. É fofo, legal, e vale passar aos amigos menos conscientes. Quem sabe desperta algo neles, né?

Related Posts with Thumbnails