Mães da Casa do Zezinho lançam Içá

O projeto A Gente Transforma idealizado pelo designer Marcelo Rosenbaum não só capacitou parte da população da Casa do Zezinho do Capão Redondo e fez um mutirão para reformar os arredores do principal centro de lazer da comunidade como também criou uma marca para o Grupo de Mães Amigas da Casa do Zezinho (GMACZ): a Içá.

Com a ajuda das designers Cristiane Rosenbaum e Roberta Crelier e material doado pela Cipatex, produtora de tecido atoalhado, as costureiras criaram e produziram uma coleção cheia de vida de bolsas coloridas. O resultado pode ser visto nas fotos abaixo de Douglas Garcia / Divulgação, no vídeo e no blog da Içá.

Içá Bolsa

Içá mala

Içá bolsinha

O vídeo foi feito na feira de design contemporâneo Paralela Gift, onde a marca foi lançada há duas semanas. O sucesso foi tanto que agora a marca vai caminhar com as próprias pernas.

Outro lançamento sustentável do evento foi a coleção Lyptus + Paralela, onde designers foram convidados por Marisa Ota para criar objetos de design com esta madeira certificada batizada de Lyptus, fruto do cruzamento de dois tipo de eucaliptos. (Veja mais no post de ontem sobre a matéria de ecodesign publicada no Estadão)

No vídeo ainda é possível ver alguns produtos do projeto Talentos do Brasil, apoiado pelo Ministério de Desenvolvimento Agrário e que reúne peças de comunidades de diversas regiões do País. Confira.

“Sustentabilidade é uma condição”

Idealizadora e curadora da feira de design contemporâneo Paralela Gift, Marisa Ota falou sobre design, sustentabilidade e mercado consumidor. Confira a entrevista abaixo feita para a matéria publicada hoje sobre Ecodesign no caderno Planeta do jornal O Estado de S. Paulo.

Como você vê o mercado de design em relação à preocupação com a sustentabilidade?
A preocupação é grande, mas ainda não é a ideal.  Ainda é difícil encontrar no Brasil produtos ecológicos de qualidade.

Os designers vêm se preocupando mais com esta questão?
Sim, esta já não é uma preocupação e sim uma condição, um item essencial no projeto.

Qual o papel do design na determinação do impacto ambiental de um produto?
O designer, ao adotar uma postura favorável ao meio ambiente e ao consumo consciente, se torna um agente transformador de novos padrões de consumo, sejam eles duráveis ou efêmeros.

Como surgiu a ideia da parceria da Paralela com a Lyptus? Como foi este projeto?
Ao propor o projeto Lyptus+ Paralela, nossa idéia foi promover o design como ferramenta para negócios sustentáveis com foco em processos industriais. Tivemos uma receptividade enorme por parte deles: a Lyptus já exerce este importante papel ao se encaixar nas normas de manejo florestal internacionais. Só não tinha esta visibilidade no mercado de design. Para isso, convidamos designers brasileiros reconhecidos em suas áreas por suas competências em contemplar os mais diversos olhares na produção de objetos para criar com Lyptus.  Ao utilizar a menor quantidade possível de recursos materiais e energéticos, satisfazendo as necessidades de consumo de forma amigável e respeitosa ao meio ambiente, a Paralela criou um importante exercício em que é possível de se fazer design/negócios com respeito ao meio ambiente. E o resultado é bacana. Foi muito interessante e rico o processo de aprendizado, sobre todas as técnicas empreendidas do plantio ao corte, o manejo …tudo foi trazido pela Lyptus de uma forma surpreendentemente profissional. Eles têm técnicas internacionais inéditas, que ninguém no Brasil tem. Foram investidos U$ 50 milhões neste know-how.

mesa-lyptus

Qual o seu papel no projeto Lyptus + Paralela?
Nosso papel foi o de curadoria, enobrecendo ainda mais a madeira Lyptus, convidando os melhores designers para criarem com a Lyptus. Havia uma resistência do trabalho com madeira ecológica que, à medida em que o trabalho foi sendo desenvolvido, desapareceu. A Lyptus é bonita, tem uma cor roseada e é de fácil manuseio.

A Paralela busca trazer sempre expositores com um trabalho eco-friendly e preocupação social. Existe algum projeto para fortalecer ainda mais? Ou o mercado não está pronto para isso?
Já se caminhou muito e esta visão já se fortaleceu, mas aqui no Brasil ainda existem dificuldades, pois falta conhecimento e informação. O designer brasileiro ainda não tem o hábito deste trabalho, falta o exercício do fazer. É só fazendo que vamos descobrir as dificuldades e facilidades. A parceria com a Lyptus foi um sucesso, tivemos muitos designers interessados, e a divulgação dos trabalhos se estendeu a lojistas  e produtores, que ficaram encantados.

Como os lojistas veem os produtos de ecodesign? É um fator que lhes interessa ou ainda muito distante?
Ainda é difícil encontrar no Brasil produtos ecológicos de qualidade. As lojas de design mais conceituais que têm uma proposta ficaram muito interessadas. Isto quer dizer que o mercado aprovou e que é possível fazer design sustentável bonito.

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