O eco do fashion by Página 22

Uma leitora chamada Aline mandou um comentário para o Verdinho Básico com o link da matéria que a revista Página 22 da FGV fez sobre a indústria da moda, na última edição do São Paulo Fashion Week. Eu sabia que a pauta estava sendo feita, mas ainda não tinha visto publicada. Obrigada, Aline.

Com o título O eco do fashion, a matéria é uma dura crítica – e merecida – ao mercado da moda. Com algumas ironias que beiram o sarcasmo referente ao comprometimento sustentável do SPFW e de alguns estilistas, ela trata de assuntos sérios, relembra o escândalo do uso de trabalho escravo na China pela Nike, fala sobre o upcycling (conceito que apareceu na grande imprensa brasileira em matéria que escrevi para o jornal O Estado de S. Paulo em fevereiro deste ano), de fast-fashion, consumo consciente e até do livro O Império do Efêmero de Gilles Lipovetsky.

Um dos únicos pontos que discordo é quando a repórter Carolina Derivi escreve: “Até a poderosa Osklen, uma das referências do mundo da moda nesse quesito, absteve-se do uso de materiais ambientalmente responsáveis na temporada de verão em 2009. Com o mote “samba”, a coleção esbanjava brilhos sintéticos. À imprensa especializada o estilista Oskar Metsavaht teria dito que nada pode ser mais importante que a liberdade criativa.”

Discordo pois não existe marca ou empresa 100% sustentável e concordo que hoje não haja material “verde” para fazer tudo que se quer. É inviável. E criticar uma empresa que leva isso tão sério por não usar material ambientalmente responsável em uma coleção é injusto. Até porque muitas das outras práticas da empresa continuaram sendo sustentáveis mesmo quando do uso de sintéticos (que conforme seu processo produtivo também pode ter baixíssimo impacto ambiental).

Sem dizer que a reportagem esqueceu de mencionar que nesta última estação a Osklen tingiu todas as peças da passarela de forma natural com base vegetal além de usar algodão orgânico e que na coleção passada também trouxe diversos materiais sustentável como feltro reciclado, palha de seda ecológica, lã orgânica e couro ecológico. Enfim, criticar principalmente a empresa que mais leva esta bandeira à sério não me pareceu responsável.

Mas no final do texto, fica a esperança de que se a moda é capaz de se reinventar, ela será capaz de transformar o consumo desenfreado em sustentável.

Vale a leitura no site Página 22. Clique aqui para ler.

Veja abaixo entrevista que fiz com Oskar Metsavaht na última edição do SPFW.

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