Não vale roubar a planta do outro

Quem nunca ouviu a frase “os gringos vem para a amazônia, pegam tudo o que precisam, fazem pesquisa e vão embora ganhar dinheiro em cima do que é nosso“? Pois é, para regular estas pesquisas entre entidades e biodiversidade de diferentes países foi criada a ABS (Access and Benefit Sharing). Estabelecida pela Convention on Biological Diversisty (CBD), ela é uma série de normas e princípios que englobam o uso de recursos genéticos e o conhecimento tradicional de populações locais sobre as espécies.

CBD

Ainda na conferência internacional “Abastecimento com Respeito” (“Sourcing with Respect”) voltada ao mercado cosmético, María Julia Oliva explicou este conceito de compartilhamento de acessos e benefícios. Apesar de ser regulada por governos nacionais, a ABS segue dois princípios básicos comum em qualquer um dos 190 países que aderiram o CBD. São elas:

1. Qualquer acesso ou uso de recursos genéticos tem que ter a permissão ou aprovação do país onde o mesmo se encontra. Ou seja, o governo brasileiro precisa autorizar empresas e pesquisadores entrarem aqui e fazem estudos.

2. As condições para o acesso e uso de recursos genéticos, independente de como os resultados serão compartilhados, têm que vir de um acordo mútuo verdadeiro entre os diferentes países envolvidos.

Este processo baseado na lei sobre ABS do governo local detentor da vegetação ou planta estudada é chamado oficialmente de PIC (prior informed consent).

Desde 2002, as Diretrizes de Bonn estabelece que a aprovação tem que ser obtida também junto à comunidade local ou indígena que dará acesso aos seus conhecimentos sobre as plantas.

A empresa ou pesquisador interessado deve dizer como os recursos naturais serão usados, por quem, para qual finalidade, quais benefícios serão compartilhados com a população local e como isto acontecerá. Ah, e é levado em consideração se o conhecimento popular é restrito ou já é difundido na região e no país.

É aí que entra uma questão polêmica: a da patente e direitos de propriedades intelectuais. Ao mesmo tempo que uma patente pode estimular a inovação de produtos naturais criando benefícios para toda uma cadeia produtiva, ela pode ser registrada de maneira não ética roubando conhecimento sobre a biodiversidade que comunidades locais têm. Assim a empresa ganha em cima do conhecimento da população, que não ganha nada por isso. Hoje já existe uma pressão para que as empresas sigam as regulamentações éticas da ABS ao desenvolver alguma patente.

Assim como é polêmica a aceitação de remédio fundamentais para problemas de saúde pública como a Aids, também é delicado quando o assunto envolve a saúde e preservação do planeta.

Segundo María Julia uma nova legislação de acesso e benefício aos recursos naturais está sendo desenvolvida e deve ser aprovada e discutida em Nagoya, no Japão, durante a Conferência das Partes sobre a Biodiversidade, a Cop10.

Focas da Nova Zelândia

Veja abaixo um vídeo feito para a inauguração da Cop 8 que aconteceu em Curitiba em 2006:

Estethica começa nesta sexta (19)

A partir desta sexta-feira, dia 19, será realizada a Estethica, semana de moda ética, durante a London Fashion Week.

Lá de Londres eu vou trazer mais informações sobre o evento e sobre notícias verdes da cidade da Rainha. Stay tuned.

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estethica

Enquanto isso, aqui vão dois vídeos da Estethica de edições passadas.

Moda sustentável pré-COP15

Estudantes de design de moda de Copenhague participaram da Innovating Sustainable Fashion Show, no último dia 3 de dezembro. Cerca de 60 inscrições foram contabilizadas mas somente 19 delas foram escolhidas para desfilar suas coleções.

“Nós focamos em estudantes de design pois eles estarão trabalhando neste mercado muito em breve e é importante que eles tomem as decisões certas”, disse Peter Dammand, professor na Danish Design School.  Segundo ele, preocupação ambiental, ética e financeira são os três pilars da moda sustentável.

Com inspiração em ficção científica, Tobias Noe Harboe da Danish Design School recebeu o primeiro lugar e um cheque de 15 mil coroas dinamarquesas (o equivalente a R$ 5.185).

Veja abaixo vídeo do evento.

Moda ética é coisa para redes pops sim!

Na última edição da semana de moda inglesa, as grifes eco fashion se destacaram, assim como o salão estEthica, o braço de moda ética da London Fashion Week. Normalmente, nomes ainda desconhecidos da moda inglesa figuram na lista de estilistas. Até porque normalmente são os novos designers que dão mais foco a este segmento eco e chique.

Mas o que chamou a atenção é que uma conhecida rede pop é a patrocinadora deste evento, a Monsoon. O grupo é dono da loja que leva o mesmo nome (não existe no Brasil) e da Accessorize, um grande sucesso por aqui.

Além de mostrar uma moda colorida, jovem, atual e divertida, o que muitos não sabem é que seus produtos são feitos dentro do código de ética da empresa inglesa, que se preocupa com questões sócio-ambientais desde 1973.

E atitudes de empresas como esta são capazes de mudar o comportamento e o grau de exigência do consumidor. Na Inglaterra, por exemplo, quem levar uma peça de roupa velha da marca ganha 5 pounds (o equivalente a 14 reais) em crédito. E estas roupas são recicladas e os materiais reaproveitados pela empresa.

A Monsoon trabalha com comunidades da Índia e tem projetos de educação e de trabalhos vocacionais para as mulheres, entre outros. O fundador do grupo Peter Simon criou a Monsoon Accessorize Trust em 1994. A organização garante comércio justo no trabalho, educação, serviços de saúde e se empenha no desenvolvimento das populações locais. A Trust financia mais de 10 projetos que beneficiam 10 mil mulheres e crianças anualmente na Ásia.

Veja abaixo outros dois vídeos sobre os valores da marca e a ética na prática.

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