Ecodesign não é artesanato

Ontem (24) à noite foram anunciados os vencedores do prêmio IDEA Brasil 2010, que traz entre suas categorias o Ecodesign. Os vencedores e a relação entre sustentabilidade, design e consumo podem ser vistos na entrevista abaixo com Joice Joppert Leal. Ela é diretora executiva da organização Objeto Brasil, que representa no País o prêmio internacional IDEA Awards e tem como objetivo a promoção do design brasileiro no Brasil e no exterior.

Como você vê o mercado de design em relação à preocupação com a sustentabilidade?
Cada vez mais a sociedade está preocupada com a sustentabilidade. É um fator determinante na compra de um produto. Isso sem dúvida reflete no mercado de trabalho dos designers.

Os designers vêm se preocupando mais com esta questão?
Sim, os designers estão atentos a isso. E, como os clientes também têm essa preocupação, há um interesse convergente.

Qual o papel do design na determinação do impacto ambiental de um produto?
Numa indústria, o designer trabalha numa equipe multidisciplinar ao lado de engenheiros de produtos e de processos. Ele vê como inserir as questões ligadas à sustentabilidade, como por exemplo, na escolha de materiais renováveis.

O que você destacaria nos produtos vencedores da categoria Ecodesign?
O que é marcante é a diversidade. Temos a Linha Ekos de Sabonetes da Natura, a e-boards – uma prancha de surf -, uma bicicleta de madeira e um reciclador de óleo de cozinha.

Você acredita que os designers que se inscrevem em outras categorias também têm a preocupação com o uso de materiais sustentáveis ou com baixo impacto ambiental?
Sim, podemos ver isso em várias categorias diferentes, como Embalagens, e até em Transportes, com o carro-conceito da Fiat.

Hoje em dia ecodesign não é mais sinônimo de artesanato e estética hippie?
É muito importante deixar claro que quando falamos em ecodesign, estamos falando em produção industrial. É algo bem distinto do artesanato, produzido em pequena escala e manualmente.

Quando você acha que ocorreu esta mudança e quais foram os fatores determinantes?
Há muitos anos que a indústria vem se preocupando com a eficiência energética e a utilização de matérias-primas renováveis. Isso se deve em parte à realização no Brasil da ECO 92, quando se difundiu mais a relevância da preservação do meio ambiente.

A tecnologia industrial ajudou?
Sim, ajudou porque temos equipamentos que facilitam o plantio e a colheita de matérias-primas e equipamentos que economizam energia, além daqueles voltados à reciclagem de produtos. As atividades em centros de pesquisa foram fundamentais. A maior interação dos designers e indústrias com os Centros de Pesquisa e Desenvolvimento também é responsável pelas mudanças.

Você acredita que inovações são feitas baseadas em antever necessidades? Se sim, acha que é por isso que cada vez mais estão surgindo inovações com design que preservam o meio ambiente?
Há vários fatores. Um deles é que com a maior divulgação e utilização do conceito design, os profissionais têm mais espaço para pensar em inovações, procurando criar necessidades. Outro fator é a interação maior nas indústrias do setor de produção e design com as áreas comercial e de marketing. Hoje é politicamente correto pensar em produtos sustentáveis, o que também está ligado ao trabalho das áreas de marketing e comercial.

Como os lojistas e os consumidores finais veem os produtos de ecodesign? É um fator que lhes interessa ou ainda muito distante?
Os lojistas valorizam o ecodesign porque há uma demanda por ele e uma consciência maior a respeito do assunto.

Confira as fotos dos vencedores do IDEA Brasil 2010 na categoria de Ecodesign – ouro, prata e dois bronzes respectivamente.
natura1
e-board
bicicleta
reciclador

Em pasta, lascas ou fatias, para limpar e hidratar o corpo

Sabonete em pasta, para fatiar ou em lascas. Essas são algumas das novidades que a Natura traz para comemorar os 10 anos da linha Ekos, que durante este período já fez parcerias com 19 comunidades e trabalhou com 1.714 famílias, propiciando o desenvolvimento sócio-econômico local, sempre cuidando do meio ambiente.

lascas

Estes sabonetes representam o maior projeto de sustentabilidade da Natura. Eles são feitos com 20% a 50% de óleo de murumuru, cupuaçu, maracujá e cacau – todos cultivados de maneira sustentável. Isto significa beneficiar 263 famílias e dobrar os recursos financeiros revertidos para as comunidades. Em 2009 foram R$1,3 milhão e a espectativa para 2010 é chegar a R$ 2,6 milhões.

variedades

Para esta linha de sabonetes, oito novas comunidades foram inseridas entre os fornecedores da Natura, que levou cerca de dois anos para mapear, capacitar, articular parcerias e desenvolver os produtos – tudo para garantir uma forma de trabalho justa e um manejo sustentável ao longo de toda a cadeia produtiva.

Além de serem super “eko” eles são gostosos e cheirosos. Veja abaixo alguns dos novos lançamentos:

Sabonete de maracujá em pasta – feito com 50% de óleo de maracujá ele deve ser usado com uma esponja. O sabonete faz uma camada protetora na pele de até 6 vezes mais que um sabonete comum, deixando a pele macia e hidratada. Boa opção para um inverno frio do hemisfério Norte. R$ 29,70

maracuja

Sabonete de murumuru em lascas – feito com 20% de manteiga de murumuru, ele é espumante e tem bom rendimento. Rico em ácidos graxos, forma uma película protetora que mantém a umidade da pele, que fica hidratada. R$ 29,70

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Sabonete de cupuaçu para fatiar – feito com 20% de manteiga de cupuaçu, que deixa o sabonete macio e passível de ser fatiado, recupera a umidade da pele deixando-a macia. R$ 18,90.

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