Consumo conquistado versus consciente

Sabemos que a Classe Média alargou e que hoje muito mais gente tem acesso a diversos produtos e bens que não tinham no passado. O jornal O Estado de S. Paulo trouxe uma matéria na última segunda-feira (2/8) sobre o poder do consumidor da Classe D que pela primeira vez na história supera a Classe B e ocupa o segundo lugar, só perdendo para o consumo da Classe C.

É claro que quem antes não tinha carro, televisão, microondas, freezer, lava-louças, roupas e maquiagens bacanas não está nem pensando em abrir mão desta conquista. E não tem que abrir mão mesmo. Depois de tanto tempo de desigualdade social e baixíssimo poder de consumo enquanto as Classes mais altas se esbaldavam, não é justo privar as famílias de seus “luxos necessários”.

O que pode haver, sim, é uma mudança na hora do consumo por todas as Classes. Evitar desperdício é um bom começo. E exigir produtos sem mão de obra explorada e alto impacto ambiental deve ser levado em consideração, assim como preço, qualidade e beleza também já são.

A conquista do consumo versus o consumo consciente foi um dos pontos discutidos no Encontro Estadão & Cultura sobre comportamento verde, realizado no mês passado. Veja abaixo um trecho muito interessante colocado pela psicóloga Beth Furtado.

Luxo é eco. Fast-fashion, não

Por princípio o luxo é eco-friendly. Ele aposta no tradicional (que não está preso a rápidos modismos) com boa qualidade (dura uma vida inteira) que custa caro (não dá para comprar a rodo) e feito por artesãos que ganham bem pelo seu trabalho.

Já o conceito fast-fashion é por definição o vilão da sustentabilidade. É a moda descartável, que muda a cada estação, feita com material barato e de baixa qualidade, e por isso facilmente vira lixo. Sem contar que a mão-de-obra usada muitas vezes é de países em desenvolvimento e que acaba sendo explorada.

É claro que em ambos os casos existem as exceções, ou seja, as marcas de luxo que usam mão-de-obra barata e não qualificada de indústrias asiáticas e as redes de fast-fashion que dão boas condições de trabalho e remuneração aos seus funcionários, mesmo que em países mais pobres para ajudar o desenvolvimento local.

Mas em geral quem está em vantagem na era da sustentabilidade é, com certeza, o mercado de luxo. Consumir consciente é comprar menos, sem desperdício, produtos que duram mais, que tenham sido produzido de maneira ética, respeitando o meio ambiente e o trabalhador. Mesmo para as empresas deste mercado que estão fazendo algo errado é mais fácil entrar no eixo eco-correto. Já que um produto de luxo custa caro mesmo, dá para fazer tudo certinho, diminuindo o impacto ambiental e gerando benefícios sociais.

bolsa-hermes

Agora como vender camisetas a R$ 10 ou R$ 15 fazendo tudo certo? Este valor não paga nem uma mão-de-obra descente, fora transporte, alimentação, luz e água da empresa, além, claro, do tecido. Não é mais fácil fazer peças boas que duram mais tempo? Elas vão custar mais caro, mas terão um custo benefício maior. Pense nisso como consumidor.

Diversas peças e acessórios são curinga no guarda-roupa feminino e masculino. Por que não ousar somente em algumas criações contemporâneas e comprar o básico e o atemporal de boa duração? Optar por produtos baratos e vagabundos ou mais caros e com qualidade é também uma questão de cultura (e de bolso, claro).

Vamos comparar as francesas e as inglesas. As primeiras têm um guarda-roupa enxuto, com poucas e boas peças. Já as inglesas adoram tudo que é novidade, avant garde. Não é à toa que marcas de fast fashion se proliferam cada vez mais pelas ruas de Londres – muitas delas tenho que admitir que têm boas iniciativas a favor da sustentabilidade, com preocupações social e ambiental.

Mas aqui a questão é mercadológica. Em um mundo onde a sustentabilidade veio para ficar, as empresas têm de saber que amanhã, quando esta consciência se transformar em atitude do consumidor (e isso vai acontecer), os produtos de fast-fashion terão um impacto negativo de vendas. E o mercado de luxo, se souber aproveitar, vai ter um outro boom e ganhar novos consumidores.

É claro que estamos falando por enquanto de consciência para os consumidores das Classes A e B. Até porque as Classes C e D só agora estão tendo o prazer de conseguir consumir e vai ser difícil eles abrirem mão deste luxo conquistado a curto prazo. Mas isto já é um tema para um próximo post, que será publicado amanhã aqui no Verdinho Básico.

Veja abaixo vídeo com trecho do debate sobre comportamento verde promovido pelo Estadão e pela Livraria Cultura que fala sobre a tendência do consumo mundial.

Em tempo, leia matéria da jornalista Andrea Vialli publicada hoje na seção Planeta do jornal O Estado de S. Paulo. É sobre compra de roupas de segunda mão ser tendência do consumo consciente. Clique aqui para ler.

Vídeos: debates do Estadão

Para começar bem a semana trago a série de vídeos da TV Estadão com os três debates realizados na Livraria Cultura na semana passada – comportamento verde, lixo e coleta seletiva e novo código florestal. É possível ver como foram estes encontros promovidos pelo Estadão e pela Livraria Cultura. Os vídeos estão divididos por temas e na sequência certa.

COMPORTAMENTO VERDE:

RECICLAGEM DE LIXO:

CÓDIGO FLORESTAL:

Obs: Eu filmei o debate sobre comportamento verde a ainda vou editar o material para trazer para vocês, ok?

Estadão & Cultura Encontros: sustentabilidade e meio ambiente

Quer participar de uma mesa-redonda com quem entende de assuntos atuais do universo “verde” e coloca seu ponto de vista mesmo que gere polêmica? Então se liga nessa. Na semana que vem o jornal O Estado de S. Paulo e a Livraria Cultura promovem a terceira série do Estadão & Cultura Encontros e o tema da vez é sustentabilidade e meio ambiente.

Pois é, o caderno Planeta convidou profissionais renomados para debater três assuntos. No dia 14 de julho (quarta) o tema é “Comportamento verde – a etiqueta do século 21” e os debatedores são a analista de tendência Ligia Krás (Mindset/WGSN), a arquiteta e ambientalista Marussia Whately e a psicóloga Beth Furtado.

No dia 15 o encontro abordará como anda a coleta seletiva de lixo e a reciclagem na cidade de São Paulo. Para falar sobre este assunto estarão presentes o jornalista Denis Russo Bugierman, o presidente da Loga Logística Ambiental Luiz Gonzaga Alves Pereira e o secretário adjunto e diretor da Limpurb Sergio Luis Mendonça Alves.

Como não podia deixar de falar neste tema, no último dia (16/7) a pauta é o código florestal, a reforma e as polêmicas. O deputado e relator da Comissão Especial do Código Florestal Aldo Rebelo, o ambientalista Rafael Cruz (Greenpeace) e o jornalista e membro do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas Roberto Smeraldi são os convidados para debater o assunto.

As mesas redondas serão realizadas nos dias 14, 15 e 16 de julho, das 12h30 às 13h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional que fica na Avenida Paulista, 2073 loja 151, em São Paulo (SP). A entrada é gratuita e as vagas são limitadas por ordem de chegada.

E aí, vamos? Estarei lá dia 14! Espero vocês.

encontro

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