O consumo te consome?

Consumo consciente é um tema cada vez mais presente no dia a dia das pessoas. Mesmo para aqueles que não se importam com o destino do lixo ou com tópicos mais abrangentes como sustentabilidade, o acúmulo de tranqueiras em casa é algo que incomoda as pessoas. E isso só existe pois o mundo compra muito mais do que precisa e do que usa.

Para estimular a reflexão antes, durante e depois do consumo, a empresa de cosméticos Natura criou o movimento “Sou para Todos Nós”. A ideia é levar para o maior número de pessoas esta questão, sem apontar o que é certo ou errado. Mas mostrando experiências e opiniões de pessoas que estão engajadas no assunto.

Para isso foi escolhido um lugar bem democrático: a internet. Através de Hangouts – bate papos virtuais -, grupos de convidados discutiram diversos temas do universo do consumo. Cada encontro durou cerca de uma hora, e um minidocumentário nasceu de cada uma dessas conversas.

Fui convidada para participar do pontapé do projeto, cujo tema foi “O consumo te consome?”. Confesso que gosto de consumir, mas felizmente o consumo não me consome! Veja abaixo o minidocumentário ou, se tiver tempo, o bate-papo na íntegra. E aí, o consumo te consome?

Rastreabilidade é a chave para o consumo consciente

Você sabe a procedência dos produtos que você compra? Como são feitos? Por quem e em quais condições? A maioria das pessoas nem pensa nisso na hora de consumir. Elas veem um produto e, se gostam, pronto. A escolha está feita.

Mas a verdade é que até ele chegar à loja existe um imenso caminho a percorrer: desde a produção de suas matérias-primas até sua confecção e finalização. E saber todo este caminho já uma realidade para algumas empresas, pois este controle garante a qualidade e a segurança do que é vendido.

Além disso, caso apresente algum problema, estas informações sobre a cadeia produtiva ajudam a achar o responsável pelo erro. Um exemplo simples é o melão que matou mais de 15 pessoas dos Estados Unidos em setembro. Ao conseguir rastrear de onde ele veio é possível recolher outros que ainda não foram consumidos.

Além do controle de qualidade, outros pontos positivos para as empresas fazerem este rastreamento também são óbvios: diferencial na exportação, identificação da origem da matéria-prima, possibilidade da certificação de processos produtivos, garantira de um comércio responsável e socioambientalmente positivo e, principalmente, ganhar a confiança do consumidor.

Mas não basta somente as empresas se preocuparem com isso. Aliás, elas não farão com a devida seriedade se o mercado não exigir isso delas. É por isso que o nosso papel como consumidor é cada vez mais importante. Você gostaria de comprar móveis de madeira de área ilegal? E comer uma carne cuja procedência é de local desmatado? Ou ainda, de usar roupa feita com trabalho escravo? Por isso, pense antes de comprar.

Um exemplo nacional bem sucedido é o programa Qualidade Desde a Origem criado pelo Grupo Pão de Açúcar. Alguns produtos, como carnes e hortifrutis, têm um código na embalagem que mostra o rastreamento no mesmo. Basta entrar no site do projeto, colocar o número para saber a procedência.

O mesmo faz a organização holandesa MadeBy, mas por se tratar da indústria da moda seu rastreamento é ainda mais complexo. Marcas filiadas têm a sua produção controlada, do processo inicial das matéria-primas até o produto final. E cada peça tem um código que aparece na sua etiqueta e pelo site é possível ver todas as informações da cadeia produtiva.

Não são bons exemplos a serem seguidos? Será que não é nosso papel começar a perguntar de onde vem e quem faz o que compramos? É claro que é impossível fazer com tudo. Mas comece e prefira produtos que você saiba a origem. Já é um passo a favor do consumo consciente.

(artigo escrito por mim e publicado na edição de novembro de 2011 na revista valeparaibano)

Na hora de consumir, é só trocar o convencional pelo eco-friendly?

O problema do consumismo nos Estados Unidos é o excesso de boas ofertas. Isso mesmo. Não é à toa que a gente ouve um amigo dizer que foi para lá e comprou diversas “coisinhas’. Ou ainda que alguém foi para Miami fazer o enxoval de seu filho. Enfim, acredito que muitas pessoas que já pisaram nas terras do Tio Sam tenham passado pela tentação de adquirir algum produto porque “valia apena” ou “estava muito barato”.

Esse consumismo arraigado naquela cultura contagia até mesmo os turistas que por lá passam. Muito consumo tem também como conseqüência muito lixo. Em maio estive lá e confesso que me peguei angustiada com esta sensação. Comecei, então, a tentar ver o lado positivo – se é que tem -, além deste comércio fazer “a economia girar” e “o país conseguir enfrentar a crise”.

Em paralelo saí por Chicago e Nova York procurando opções sustentáveis e “verdes” nas mais diferentes lojas, e até nos supermercados. Queria saber qual era a real influência e penetração do universo eco-friendly na vida dos americanos.

Foi aí que tive uma ótima surpresa: a oferta de “green products”, como eles chamam, é imensa. Os mais variados produtos de beleza e de limpeza são cheirosos e bonitos, remédios fitoterápicos e vitaminas prometem o bem-estar com ingredientes naturais, os plásticos são biodegradáveis e livres de Bisfenol A (BPA, uma substância tóxica), garrafinhas reutilizáveis de alumínio têm as mais lindas estampas, roupas são feitas com algodão certificado, alimentos, então, nem se fala, são quase todos orgânicos e/ou certificados. Isso sem falar que a maioria leva o selo de “local” e grande parte dos produtos segue o comércio justo.

A conclusão? Um país que sempre estimulou o consumo e já tem isso como parte da sua cultura vai, consequentemente, ser o mais interessado em encontrar a “saída” para consumir sem peso na consciência. Ou seja, não precisa parar este ciclo relojes de imitacion vicioso, basta trocar o convencional pelo eco-friendly.

Mas será que esta é a melhor saída? A discussão é longa, mas a minha proposta é simples. Por que não “importar” as iniciativas de produtos com menor impacto ambiental e manter a consciência na hora de consumir? Seria o melhor dos mundos, não?

(artigo escrito por mim e publicado na edição de junho de 2011 da revista valeparaibano)

Consumidor chega em encruzilhada

O que é melhor: usar guardanapo de papel ou de pano? Um gera lixo e o outro gasta água. E o lixo para reciclagem, será que ele realmente é reciclado? E o plástico biodegradável, é verdade que muitos deles liberam metais pesados no solo durante a sua decomposição?

Estas são apenas algumas das milhares de dúvidas e questionamentos que os consumidores estão começando a ter/fazer. E ainda bem! É sinal de que estão adquirindo consciência e querem transformá-la em atitude.

Veja abaixo vídeo com a antropóloga Lígia Krás falando sobre pesquisa da Mindset que detectou que o consumidor está chegando em uma encruzilhada e a arquiteta e ambientalista Marussia Wathely comentando este assunto. Gravado no debate sobre comportamento verde organizado pelo Estadão e Livraria Cultura no mês passado.

Consumo conquistado versus consciente

Sabemos que a Classe Média alargou e que hoje muito mais gente tem acesso a diversos produtos e bens que não tinham no passado. O jornal O Estado de S. Paulo trouxe uma matéria na última segunda-feira (2/8) sobre o poder do consumidor da Classe D que pela primeira vez na história supera a Classe B e ocupa o segundo lugar, só perdendo para o consumo da Classe C.

É claro que quem antes não tinha carro, televisão, microondas, freezer, lava-louças, roupas e maquiagens bacanas não está nem pensando em abrir mão desta conquista. E não tem que abrir mão mesmo. Depois de tanto tempo de desigualdade social e baixíssimo poder de consumo enquanto as Classes mais altas se esbaldavam, não é justo privar as famílias de seus “luxos necessários”.

O que pode haver, sim, é uma mudança na hora do consumo por todas as Classes. Evitar desperdício é um bom começo. E exigir produtos sem mão de obra explorada e alto impacto ambiental deve ser levado em consideração, assim como preço, qualidade e beleza também já são.

A conquista do consumo versus o consumo consciente foi um dos pontos discutidos no Encontro Estadão & Cultura sobre comportamento verde, realizado no mês passado. Veja abaixo um trecho muito interessante colocado pela psicóloga Beth Furtado.

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