Na hora de consumir, é só trocar o convencional pelo eco-friendly?

O problema do consumismo nos Estados Unidos é o excesso de boas ofertas. Isso mesmo. Não é à toa que a gente ouve um amigo dizer que foi para lá e comprou diversas “coisinhas’. Ou ainda que alguém foi para Miami fazer o enxoval de seu filho. Enfim, acredito que muitas pessoas que já pisaram nas terras do Tio Sam tenham passado pela tentação de adquirir algum produto porque “valia apena” ou “estava muito barato”.

Esse consumismo arraigado naquela cultura contagia até mesmo os turistas que por lá passam. Muito consumo tem também como conseqüência muito lixo. Em maio estive lá e confesso que me peguei angustiada com esta sensação. Comecei, então, a tentar ver o lado positivo – se é que tem -, além deste comércio fazer “a economia girar” e “o país conseguir enfrentar a crise”.

Em paralelo saí por Chicago e Nova York procurando opções sustentáveis e “verdes” nas mais diferentes lojas, e até nos supermercados. Queria saber qual era a real influência e penetração do universo eco-friendly na vida dos americanos.

Foi aí que tive uma ótima surpresa: a oferta de “green products”, como eles chamam, é imensa. Os mais variados produtos de beleza e de limpeza são cheirosos e bonitos, remédios fitoterápicos e vitaminas prometem o bem-estar com ingredientes naturais, os plásticos são biodegradáveis e livres de Bisfenol A (BPA, uma substância tóxica), garrafinhas reutilizáveis de alumínio têm as mais lindas estampas, roupas são feitas com algodão certificado, alimentos, então, nem se fala, são quase todos orgânicos e/ou certificados. Isso sem falar que a maioria leva o selo de “local” e grande parte dos produtos segue o comércio justo.

A conclusão? Um país que sempre estimulou o consumo e já tem isso como parte da sua cultura vai, consequentemente, ser o mais interessado em encontrar a “saída” para consumir sem peso na consciência. Ou seja, não precisa parar este ciclo relojes de imitacion vicioso, basta trocar o convencional pelo eco-friendly.

Mas será que esta é a melhor saída? A discussão é longa, mas a minha proposta é simples. Por que não “importar” as iniciativas de produtos com menor impacto ambiental e manter a consciência na hora de consumir? Seria o melhor dos mundos, não?

(artigo escrito por mim e publicado na edição de junho de 2011 da revista valeparaibano)

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