Livro e dicas de arquitetura sustentável

Hoje é o lançamento do livro “Epigram + FGMF Casa Natura” (Editora C4) que traz os projetos de branding e arquitetura da Casa Natura, espaço criado pela empresa brasileira de cosmético para ser um centro de relacionamento com as suas consultoras e um local de degustação e experimentação mas que, infelizmente, não vende os produtos da marca.

A parte de comunicação foi desenvolvida pela Epigram. Já o projeto de arquitetura é assinado por Fernando Forte, Lourenço Gimenes e Rodrigo Marcondes Ferraz. Para quem se interessar por desenvolvimento de marca e/ou por arquitetura sustentável, vale passar na FNAC Pinheiro a partir das 19h.

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Mas para não deixar você só na vontade, conheça 10 dicas sustentáveis para aqueles que vão construir a própria casa – sugeridas pelo escritório de arquitetura Forte, Gimenes & Marcondes Ferraz (FGMF):

1. Em primeiro lugar, é necessário um projeto de arquitetura completo, honesto e competente. Contratar bons profissionais, elaborar o projeto com calma e de forma profunda e detalhada, devidamente compatibilizado com as demais disciplinas de projeto: elétrico, hidrelétrico, ar-condicionado, entre outras;

2. Respeito pela cidade: observar o impacto da construção no entorno, desde a fase de projeto (interferência nas vistas e sombreamento dos vizinhos e da rua, criação de espaços abertos para o exterior, evitar muros que criem um espaço urbano de pior qualidade e abrir jardins, por exemplo) até a construção – atenção à limpeza do entorno da obra, logística de caminhões, barulho e outras interferências com a vida dos vizinhos;

3. Usar materiais reciclados e/ou recicláveis. Por exemplo, todo o material da estrutura da Casa Natura é reciclável (aço), assim como boa parte dos fechamentos (vidros, revestimento metálico, etc);

4. Preferir, sempre que possível, uma construção limpa e seca. Isso é definido em projeto, na opção dos sistemas construtivos (estruturas pré-moldadas de concreto ou aço, dry-wall, entre outros), e continua durante a obra com um planejamento adequado de execução e gestão do canteiro. Além de ser mais rápida, a obra tem menos desperdício e gera menos entulho;

5. Aproveitar o clima brasileiro que é generoso e permite amplas aberturas e ventilação cruzada. Atenção para o adequado sombreamento e a correta orientação conforme os ventos do inverno e do verão. O resultado pode ser uma bela conexão entre espaços externos e internos, aumentando não só a percepção da dimensão dos espaços, mas também a qualidade do resultado final.

6. Aproveitar os recursos de forma otimizada: sistemas de redução de consumo de água e energia elétrica, reaproveitamento de águas pluviais, redução do consumo de ar-condicionado pela correta disposição de aberturas para ventilação cruzada, sombreamento e uso de plantas como elementos de resfriamento.

7. Redução do impacto nas infraestruturas urbanas: uso de teto jardim, áreas permeáveis no térreo e reuso de água reduzem a contribuição da casa no sistema de drenagem urbano, o que contribui para a mitigação de enchentes. Da mesma forma, o tratamento de efluentes trata o esgoto antes de jogá-lo na rede, diminuindo o custo de tratamento para a cidade. A economia de energia também permite uma rede menos sobrecarregada.

8. Redução do custo na manutenção: o uso de materiais laváveis, como o revestimento de aço pintado, diminui o custo de manutenção e também reduz o uso, no futuro, de novas demãos de tintas, vernizes e outros produtos poluentes.

9. Paisagismo adequado ao clima: a escolha de espécies locais adequadas ao nosso clima e regime pluviométrico permite não só um paisagismo coerente com o lugar, como também otimiza o consumo de água e estimula um equilíbrio de pássaros, insetos e outros animais originais da região.

10. Escolher uma localização que permita o deslocamento a pé para atividades cotidianas, próximo ao sistema de transporte público da cidade e/ou com topografia adequada à bicicleta. É importante as pessoas se conscientizarem de só usarem o carro em última instância – além de evitarem poluir o ar e congestionar o tráfego, ainda trarão benefícios à saúde, com redução do estresse e melhor condicionamento físico.

Conheça o premiado Village Green

Um sistema de ventilação natural sem ar condicionado, a adoção de lâmpadas eficientes que desligam através de sensores inteligentes, um sistema de economia, filtragem e tratamento de água, o uso somente de madeira certificada, carpetes recicláveis, tintas, adesivos e solventes com baixa emissão de elementos tóxicos e a utilização de materiais de construção local, vindo de até 30 quilômetros de distância.

Estes são alguns quesitos que fizeram o Village Green, head quarter internacional da Herman Miller, conquistar as certificações de construção “verde” LEED (americana) e BREEAM (inglesa). Para saber mais, leia matéria que escrevi sobre esta empresa de design sustentável no caderno Planeta do jornal O Estado de S. Paulo e assista ao vídeo abaixo que fiz durante a minha visita ao prédio em Chippenham, na Inglaterra.

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