Com armas, loucos tornam-se perigosos

Quando acontece uma tragédia como a que chocou o Estado norteamericano de Connecticut no mês passado, muitos medos e valores passam pelas nossas cabeças e questões voltam a ser discutidas. Como alguém pode entrar em uma escola e matar crianças indefesas? Por que fatos como estes estão se tornando frequentes nos Estados Unidos? Qual a patologia social em torno disto? Por que os americanos ainda são contra o desarmamento da população civil?

Não pretendo encontrar respostas tampouco discutir todos estes assuntos aqui, que merecem total atenção da mídia e devem ser refletidos por todos os cidadãos.

Como disse o próprio presidente Barack Obama, qual pai ou mãe, depois de ter ouvido a notícia, não abraçou o seu filho e disse que o amava muito? Pois é, claro que eu fiz isto. O meu coração mandou. Mas na minha cabeça, diversos pensamento e possibilidades não paravam de surgir. E se meu filho estivesse nesta escola? Será que o berçário que ele vai daqui um mês tem segurança o suficiente para evitar que um louco machuque crianças indefesas? E, claro, como estrangeira neste país, a seguinte constatação não fugiu dos meus pensamentos: “no Brasil este tipo de violência não acontece”. Foi aí que pensei. É, realmente este sintoma psicopata a sociedade brasileira não possui, pelo menos não nesta intensidade.

Mas, por outro lado, outro tipo de violência assusta cada vez mais os moradores das principais capitais estaduais brasileiras. Antigamente era possível traçar as regiões mais perigosas do Rio de Janeiro ou de São Paulo. Hoje isso não acontece, pois a violência está espalhada. A diferença é que no Brasil estes crimes contra um cidadão comum estão ligados à condição social e normalmente financeira do bandido. Já nos Estados Unidos, mesmo membros da classe média ou média alta cometem crimes hediondos, normalmente por algum distúrbio psicológico.

Mas será que no Brasil temos menos loucos do que na terra do Tio Sam? Muitos podem discordar, mas eu acredito que o fácil acesso às armas por civis e a permissão de portá-las em alguns Estados fazem com que pessoas com distúrbios psicológicos consigam mirabolar planos violentos ou ainda agir armado por impulso.

Há quem fale que quem mata pessoas são pessoas e não armas. Mas qual a função destas se não machucar outro indivíduo? Muitos americanos se sentem indefesos sem arma. Mas esta sensação é totalmente falsa. Além disso, se outros não tiverem armas, de quem será preciso se defender? Eu sei que a situação é mais complexa do que esta e que o processo do desarmamento é difícil e delicado. Mas ele tem que existir. Só assim os nossos filhos e netos estarão livres da “cultura de guerra civil” e destes crimes cometidos por loucos.

(coluna escrita por mim e publicada na edição de janeiro de 2013 da revista valeparaibano)

Os ventos “cantaram” alto, muito alto

Como é possível perceber pelo conteúdo das minhas colunas, sou uma pessoa que respeita muito a natureza. Estou sempre tentando preservá-la e minimizar meu impacto ambiental. Mas nunca pensei nela como uma ameaça. Nem imaginei que um dia teria medo dela. Mas foi o que aconteceu no último 29 de outubro quando o furacão Sandy passou por aqui.

Quatro dias antes de sua chegada recebi um SMS de uma amiga perguntando se estava sabendo do Sandy. Logo fui pesquisar e vi as notícias, que depois tomaram conta da minha televisão até o momento que acabou a luz, às 20h30 daquela segunda-feira.

Mas, no momento que soube da existência do furacão, liguei para o meu marido e pedi para que ele passasse no supermercado e comprasse um carregamento de água, leite em pó e papinha para meu filho de então 7 meses. Claro que esqueci de pedir comida para nós, os adultos, mas ainda bem que ele lembrou. Afinal, precisaríamos ficar bem para cuidar do nosso pequeno.

Durante o final de semana, nos preparamos para ficar sem luz por até 10 dias. Além da comida, compramos lanternas e luminárias(de LED, claro), rádio de pilha e cordas para amarrar alguns móveis do quintal. Enchemos os taques dos carros de gasolina e as banheiras com água, em caso da mesma acabar. Tiramos todos os móveis menores de fora de casa e colocamos na garagem.

No dia do furacão, aumentamos o aquecedor da casa e de água e diminuímos a geladeira para o mais frio possível. Assim, se acabasse a luz, conseguiríamos uma “sobrevida” dos alimentos e da temperatura interna.

Nos dias que antecederam o furacão Sandy, autoridades e programas de televisão vinham avisando o que devia ser feito e como cada uma das áreas seria afetada. Fiquei impressionada com a organização do governo e da sociedade para minimizar todo e qualquer risco para a população.

Quando o governador Chris Christie falou que se tomássemos as medidas sugeridas e ficássemos dentro de casa estaríamos seguros, confesso que fiquei mais tranqüila. Afinal, ele e sua equipe me pareceram muito certos no que estavam fazendo e falando. Aliás, até concordo com ele quando chamou de “burros” aqueles que se recusaram evacuar áreas designadas como obrigatórias pelo Estado.

Mas mesmo assim, claro, deu um frio na barriga quando comecei a escutar os ventos aumentarem e “cantarem”, como expliquei para meu filho que ficava procurando de onde vinha aquele barulho. A noite na qual Sandy passou por aqui até que consegui dormir bem – no quarto do meu filho e acordando de pouco em pouco para ver como ele estava, mas consegui descansar do estresse pré-Sandy.

Na terça-feira cedo, quando olhei pela janelas, só vi uma árvore caída na casa da frente. Mas foi só. Pensei, será que a cidade toda está intacta assim? Torci para que estivesse. Mas quando sai de casa percebi que infelizmente não. O cenário não era dos mais agradáveis. Muitas árvores relojes de imitacion caídas em ruas e em cima de casas, placas e sinalizações arrancadas do chão, semáforos caídos no meio das ruas, entre outros estragos.

Como estávamos sem aquecimento e estava esfriando, fomos para a casa de uma amiga que ainda tinha eletricidade, onde fomos acolhidos com maior carinho por 5 dias (até voltar a nossa luz). Quando chegamos na sua rua, o susto foi maior ainda. Muitas casas tiveram cômodos inteiros destruídos por árvores que caíram em cima da casa. Como a construção aqui é de madeira com dry wall as paredes foram arrancadas e era possível ver, da rua, o interior da casa.

Neste momento, agradeci à natureza por ter sido boa com a minha família. Mas, principalmente, agradeci a Deus por ter nos protegido. E venho fazendo isso todos os dias, sempre que escuto histórias de pessoas que não tiveram tanta sorte como eu e perderam muita coisa com a passagem deste furacão.

Mais do que nunca, precisamos respeitar a natureza. Ela sabe muito bem como ficar brava com a gente.

(coluna escrita por mim e publicada na edição de dezembro de 2012 da revista valeparaibano)

 

Quarto do bebê: além de lindo, seguro

O Nick chegou! Depois de 37 semanas esperando ansiosamente, meu filho nasceu com 48 cm e 3 kg. Mas antes disso teve muita preparação para fazer o enxoval, o quarto e comprar todos os apetrechos que um bebê precisa. É tanta coisa que parece não acabar nunca. Mas é muito gostoso curtir cada uma delas. E, para escolher dentre tantas opções, o melhor é se informar.

Chegou a hora de preparar o quarto? Aqui vão algumas dicas que  adotei e visam sempre garantir a saúde e o bem-estar do bebê.

Móveis de madeira certificada são uma boa opção mas costumam ser caros. Procure saber como eles são feitos para descobrir o quão sustentável eles são. E, mais do que isso, o tipo de tinta ou verniz usado para pintá-los. Procure sempre os a base d’água e atóxicos, e que não emitem compostos orgânicos voláteis (COV). O mesmo serve para as tintas da parede do quarto.

Pense que o bebê vai passar muito tempo lá e que este ambiente deve ser o mais livre de químicos possível. Aliás outro ponto importante é o colchão. Prefira comprar um novo, firme, que tenha algum certificado de segurança – no Brasil, os berços devem obedecer às normas técnicas da ABNT (NBR 15860) e do Inmetro (NBR 15860-1 e 15860-2) – e, de preferência seja livre de componentes que possam emitir gases tóxicos, como retardantes de chama conhecidos por PBDE (éter difenil polibrominado), vinil, espuma de poliuretano e metais pesados.

Na hora da roupa de cama e banho, no mercado brasileiro já existem versões das feitas com algodão orgânico e tingimento natural. Outra opção “eco” é reutilizar o que é herdado de amigas ou da família, desde que estejam em boas condições, claro.

Por último, mas não menos importante, algumas regras estabelecidas pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) devem ser respeitadas. Estas mesmas são adotadas aqui nos Estados Unidos pela associação de pediatria para prevenir o risco da Síndrome de Morte Súbita Infantil.

Dentro do berço do bebê só é permitido o colchão (cuja medida deve ser justa no berço para não ficar nenhuma fresta) com o lençol de baixo, aquele de elástico. Nem protetor lateral se usa mais, para evitar perigo de sufocamento quando o bebê começa a se virar.

Nada de travesseiros, brinquedos, pelúcias, almofadas decorativas ou cobertor. Se tiver que usar este último, invista nas mantas vestíveis com zíper na frente. Ela esquenta o corpo da criança e previne que ela puxe para o rosto evitando maiores complicações respiratórias. A lista de recomendações é ainda maior e pode ser vista no site da SBP www.conversandocomopediatra.com.br.

No mês que vem, trarei mais dicas de tarefas prenatal, além de cuidados e produtos para os recém-nascidos.

(texto escrito por mim e publicado na edição de maio de 2012 da revista valeparaibano)

Não dê lixo neste Natal

Algumas coisas me deixam angustiadas pelo simples fato de produzirem um lixo absurdo. E uma delas acontece nas festas de final de ano. Que casa não passa pelo seguinte ritual? Troca-se e abre-se os presentes e depois é hora de recolher todos os papéis que embrulharam os mimos que o Papai Noel trouxe.

Existem ainda algumas embalagens que, de tão rebuscadas, são quase um presente à parte. Pena que não dá para guardá-las e o destino final é o descarte mesmo. Poucas situações me deixam mais incomodadas do que esta descrita no parágrafo acima.

Uma, por exemplo, acabei de vivenciar: uma mudança. Papéis e caixas que não acabam mais foram necessários para que minha “casa” chegasse inteira. Realmente só quebrou uma taça de vinho. Mas o lixo foi do tamanho da minha garagem que cabe um carro grande. Para minimizar, a empresa veio recolher e garantiu a reciclagem de tudo. Espero que o faça, pois para este caso não temos muitas alternativas.

Outro fato vou vivenciar nos próximos meses: as fraldas de um bebê. São cerca de 9 por dia! Ou seja, 63 por semana ou ainda 3285 por ano! E todas são sujas, ou seja, não serão recicladas. Será que não é hora de empresas no Brasil investirem nas versões biodegradáveis? Pois acho difícil “virar moda” voltar a usar a de pano. Se você tiver algumas dicas, estou aceitando sugestões.

Enfim, voltando ao Natal, algumas ideias criativas podem ajudar a diminuir o lixo. Por que não aproveitar embalagens antigas ou ainda criar novas com revistas e jornais que irão para a reciclagem?

No ano passado escolhi imagens bonitas de revistas que tinham alguma relação com o que o presenteado gostava e usei páginas – que foram grampeadas ou coladas uma nas outras como um patchwork – para embrulhar o presente. Em alguns casos, usei jornal e desenhei ou escrevi frases coloridas.

E sabe qual foi o melhor de tudo? Além de ter ficado com a consciência limpa, as pessoas se divertiram olhando a embalagem ao receberem os presentes. Que tal experimentar você também? E boas festas a todos!

(artigo escrito por mim e publicado na edição de dezembro de 2011 na revista valeparaibano)

Tempos Modernos no valeparaibano

Já ouviu falar da revista valeparaibano? É a maior revista do Vale do Paraíba, região dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro que vai desde Caraguatatuba e Ubatuba até Campos de Jordão e Pindamonhangaba, passando por São José dos Campos, Taubaté e muitas outras cidades do leste paulista e oeste do Rio de Janeiro.

Com uma população que ultrapassa os 3,3 milhões de habitantes e um dos maiores PIBs do País, a Vale do Paraíba é uma região muito ativa e que tem sede por informação.

Foi por isso que o seu principal jornal então chamado Valeparaibano, resolveu lançar uma revista mensal de assuntos gerais com aprofundamento maior do que uma publicação diária. A revista foi lançada em abril deste ano, quando o jornal também passou por uma reestruturação gráfica e adotou o nome oVale, como já era carinhosamente chamado pelos seus leitores.

Foi para a revista valeparaibano que eu fui convidada para ser articulista, função que até então nunca tinha desempenhado e que fiquei muito honrada (já que moro em São José). Gostaria de compartilhar com vocês minhas três primeiras edições (abril, maio e junho).

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A revista de julho já está nas bancas. Se quiser saber o que eu escrevi sobre moda e decoração sustentável, corre lá ou veja na seção colunistas do site www.valeparaibano.com.br. Ou clique aqui.

Clique nos links abaixo para ler as colunas (intitulada de Tempos Modernos) das edições anteriores.

valeparaibano de abril – Alta gastronomia orgânica

valeparaibano de maio – Swap Party: consumo consciente pode terminar em festas memoráveis

valeparaibano  de junho – Receita para uma pele perfeita: coma alimentos orgânicos e durma bem

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