Rastreabilidade é a chave para o consumo consciente

Você sabe a procedência dos produtos que você compra? Como são feitos? Por quem e em quais condições? A maioria das pessoas nem pensa nisso na hora de consumir. Elas veem um produto e, se gostam, pronto. A escolha está feita.

Mas a verdade é que até ele chegar à loja existe um imenso caminho a percorrer: desde a produção de suas matérias-primas até sua confecção e finalização. E saber todo este caminho já uma realidade para algumas empresas, pois este controle garante a qualidade e a segurança do que é vendido.

Além disso, caso apresente algum problema, estas informações sobre a cadeia produtiva ajudam a achar o responsável pelo erro. Um exemplo simples é o melão que matou mais de 15 pessoas dos Estados Unidos em setembro. Ao conseguir rastrear de onde ele veio é possível recolher outros que ainda não foram consumidos.

Além do controle de qualidade, outros pontos positivos para as empresas fazerem este rastreamento também são óbvios: diferencial na exportação, identificação da origem da matéria-prima, possibilidade da certificação de processos produtivos, garantira de um comércio responsável e socioambientalmente positivo e, principalmente, ganhar a confiança do consumidor.

Mas não basta somente as empresas se preocuparem com isso. Aliás, elas não farão com a devida seriedade se o mercado não exigir isso delas. É por isso que o nosso papel como consumidor é cada vez mais importante. Você gostaria de comprar móveis de madeira de área ilegal? E comer uma carne cuja procedência é de local desmatado? Ou ainda, de usar roupa feita com trabalho escravo? Por isso, pense antes de comprar.

Um exemplo nacional bem sucedido é o programa Qualidade Desde a Origem criado pelo Grupo Pão de Açúcar. Alguns produtos, como carnes e hortifrutis, têm um código na embalagem que mostra o rastreamento no mesmo. Basta entrar no site do projeto, colocar o número para saber a procedência.

O mesmo faz a organização holandesa MadeBy, mas por se tratar da indústria da moda seu rastreamento é ainda mais complexo. Marcas filiadas têm a sua produção controlada, do processo inicial das matéria-primas até o produto final. E cada peça tem um código que aparece na sua etiqueta e pelo site é possível ver todas as informações da cadeia produtiva.

Não são bons exemplos a serem seguidos? Será que não é nosso papel começar a perguntar de onde vem e quem faz o que compramos? É claro que é impossível fazer com tudo. Mas comece e prefira produtos que você saiba a origem. Já é um passo a favor do consumo consciente.

(artigo escrito por mim e publicado na edição de novembro de 2011 na revista valeparaibano)

Brasil proíbe mamadeira com BPA

Antes tarde do que nunca. Até que enfim o Brasil resolveu aderir ao grupo de países que prefere tomar atitudes de prevenção em vez de ver sua população prejudicada por químicos nocivos à saúde.

Depois da União Europeia, onze Estados norteamericanos, Canadá, China, Malásia e Costa Rica proibirem a presenca de Bisfenol A (BPA) em produtos infantis, a Anvisa (Angência Nacional de Vigilância Sanitária) começou a tomar o mesmo rumo, mas limitou-se às mamadeiras. A partir de janeiro de 2012, não permitirá que aquelas contendo esta substância sejam vendidas por aqui.

(Eu escolhi comprar a versão de vidro da marca Dr. Brown’s, mas esta abaixo é livre de BPA, portanto é segura para os bebês)

Para muitos esse nome é desconhecido e pode parecer algo muito longe da realidade. Mas saiba que nao é. O Bisfenol A é usado em plásticos duros e transparentes que, quando aquecidos, liberam esta substância que desequilibra o sistema endócrino. Estudos mostram que ela tem o mesmo efeito que o hormônio estrogênio e pode causar diabete, infertilidade e câncer. Em bebês, a absorção do mesmo ainda é maior e, por isso, mais perigosa.

Você já ouviu a história de que não faz bem para a saúde aquecer alimentos no microondas dentro de tupperware plástico? E que deixar garrafa PET no carro com água sob o sol dia após dia pode contaminar o líquido? Pois é, a razão para ambos é que substâncias, como o BPA, por exemplo, são liberadas em maior quantidade quando aquecidas e contaminam alimentos ou bebidas que serão ingeridos por nós ou ainda por crianças.

Outro lugar onde pode ser encontrado o BPA é no interior de latas de alumínio. Já ouviu a história de que não se pode comer algo de uma lata que esteja amassada? É porque o verniz interno da mesma, quando rachado, faz com que o BPA presente em sua composição entre em contato com o alimento.

Pois é, apesar do nome estranho você deve ter percebido que o BPA está muito mais no seu dia a dia do que você pensa, né? Por isso, algumas dicas são básicas, além dos alertas mencionados acima:

1. Compre mamadeiras, chupetas, copos, pratos e talheres plásticos livres de BPA – e ainda evite aqueles que têm o número 3 ou 7, pois também podem conter a substância.
2. Troque os utensílios e tupperwares de casa pelas versões em metal, bambu ou vidro. Além de você ficar protegida, não deixa cheiro na comida nem no recipiente.
3. Não aqueca nem congele alimentos em recipientes plásticos.
4. Prefira as garrafas de alumínio reutilizáveis nas versões livre de BPA.

Apesar de até recentemente os estudos terem sido feito somente em animais, pesquisadores italianos publicaram na revista Environmental Health Perspectives do mês de agosto que o efeito em humano é o mesmo. Então, pra que se arriscar?

(artigo escrito por mim e publicado em outubro de 2011 na revista valeparaibano)

 

Parece que voltamos à Idade da Pedra

Infelizmente não é sempre que vemos uma boa idéia, ou boa iniciativa, ir adiante. Defender o fim do uso de peles de animais da moda, apesar de já ter sido bandeira de grandes estilistas, parece ter perdido seu apelo.

Nesta última edição do Fashion Rio e do Fashion Business, que aconteceram em janeiro, no Rio de Janeiro, foi possível ver uma verdadeira procissão de modelos usando peles. E, muitas delas, verdadeiras! Estilistas conhecidos inclusive por trabalhos com sustentabilidade, como Carlos Miele, colocaram na passarela modelos trajando peles de animais. Uma cena triste de se ver.

Talvez a “consciência” eco-friendly de algumas pessoas do mercado da moda não passe de mera jogada de marketing. Se for isso mesmo, o fato da diretora da maior revista de moda do mundo, Anna Wintour, defender publicamente o uso de peles de animais seguramente não ajuda. Essa posição, aliás, já custou a ela uma torta na cara na saída de um desfile, em 2005. Bem merecido, por sinal.

Por outro lado, nem tudo parece estar perdido. Além do já citado Herchcovitch que, em 2010, me disse pessoalmente no backstage de um de seus desfiles que não há porque usar peles verdadeiras e que todas as do seu desfile na época eram falsas, há outros exemplos que merecem ser citados. Karl Lagerfeld, estilista da Chanel, por exemplo, colocou icebergs no seu cenário, no penúltimo desfile de inverno da Chanel, em alusão ao derretimento do gelo polar. Neste mesmo desfile, todas as peles usadas eram falsas.

Afinal, esse é o sinônimo do luxo contemporâneo. Consciência, aliada à atitude e ao estilo. Pensando bem, é a primeira vez em que usar algo falso é chique! (artigo escrito por mim e publicado na edição de fevereiro de 2011 da revista valeparaibano)

Em tempo, o Greenvana Style conversou com estilistas que usaram peles. Clique aqui e leia a matéria.

Lista “verde” para 2011

Promessas e listas do que fazer e do que evitar já virou tradição em todo começo de ano. Afinal, quem nunca disse “neste ano eu vou emagrecer” ou ainda” neste ano eu vou voltar a fazer algum esporte”? Isso sem mencionar as promessas de parar de fumar, cuidar mais da saúde, economizar dinheiro e por aí vai.

Mas ninguém propõe atribuições para proteger o meio ambiente. Então, para inovar, proponho algumas ideias “verdes” e simples para fazer dia após dia durante 2011. Garanto que são muito mais fáceis do que os tópicos acima descritos e nunca cumpridos. E também são muito mais úteis para você e para o planeta. Isso sem contar que são atitudes mais gratificantes e que deixam a consciência limpinha.

1. Que tal fazer o kit básico “verde”? Reduza, separe e recicle o lixo. Jogue óleo de cozinha e pilha em postos de coleta apropriado. Use uma ecobag quando for às compras (tanto de supermercado como de artigos pessoais). Embalagens em excesso deviam ser proibidas. E assim que elas chegam em casa, viram lixo. Se precisar usar sacolas plásticas, prefira as biodegradáveis. Para completar o kit, compre uma garrafinha reutilizável e se livre de vez das versões em PET.

2. Recicle água. Coloque um balde d’ água em baixo do chuveiro para coletar a água limpa enquanto ela esquenta. Esta água pode ser usada para máquina de lavar roupa, para lavar a varanda ou mesmo para deixar roupa de molho. Para não esquecer, já deixe ao lado do box um balde específico para esta tarefa. Ah, e durante o banho feche a torneira quando lavar o cabelo e ensaboar o corpo.

3. Coma alimentos orgânicos. Eles são cultivados sem o uso de pesticidas e agrotóxicos, um veneno que fica no legume, verdura e fruta mesmo depois de lavados. Além de mais saudáveis, são muito mais saborosos. Em São José dos Campos, o restaurante Quiosque Philosofy faz gastronomia orgânica elaborada e deliciosa. Vale experimentar. Para quem quiser receber em casa uma cesta com horti-fruti livre de pesticidas, a Natural Delivery faz entregas semanais a R$ 28 (10 itens). Uma mão na roda!

4. Gostou dos orgânicos? Então plante em casa. A horta vertical ou urbana é uma tendência que veio para ficar. Afinal, quem não gosta de ter verduras e temperos fresquinhos à mão? Para quem não tem espaço e tem cachorro ou gato, o vaso de parede é uma boa solução. Assim, seu manjericão fica seguro.

5. Faça uma Swap Party. Separe roupas, acessórios, produtos de beleza, maquiagem e livros que você não usa mais (mas estão em bom estado) e organize uma festa com os amigos para trocar estes itens. Garanto que muita coisa que os outros não querem mais pode fazer a sua alegria. Isso sem contar que é um bom motivo para se reunir com quem você gosta. Recicle também roupa infantil, brinquedos e material escolar entre irmãos, primos e amigos.

6. Consuma consciente, seja responsável. Na hora de comprar um produto, informe-se sobre o mesmo. Descubra do que é feito, por quem, em que condições e pense como será seu descarte. Por mais que você não tenha todas as respostas na hora, só este exercício vai te ajudar a descobrir muito mais do que se você pensa.

7. Troque as lâmpadas incandescentes da sua casa pela versão eletrônica. Apesar de mais cara, ela dura muito mais e consome muito menos energia. Bom para o planeta e para o seu bolso. Ah, e não vem com a desculpa que só existe luz branca, pois agora é fácil de encontrar a amarela. Se for comprar eletrodomésticos, prefira os econômicos. E não esqueça, desligue da tomada os eletrônicos e eletrodomésticos quando não estiver usando. Mesmo em StandBy eles também consomem energia.

8. Prefira andar de bicicleta, à pé, usar transporte público, pegar carona ou comprar carro com combustível flex. Além de evitar a emissão desnecessária de CO2, faz bem para combater as gordurinhas a mais e manter-se saudável.

(artigo publicado na minha coluna da edição de janeiro 2011 da revista valeparaibano)

Greenwash fashion: não seja enganado por belas campanhas

Você sabia que a cultura do algodão é a mais tóxica do mundo e mata mais de um milhão de agricultores por ano? Ou seja, que o tecido feito desta planta apesar de ser natural não é sustentável? Sabia também que o tecido de bambu não pode ser considerado proveniente desta planta renovável por ela não ter fibra do tamanho mínimo para se fazer um fio sequer? Resumo: o bambu é um dos diversos ingredientes mas o que tem maior apelo comercial.

Pois é, muitas verdades são escondidas do consumidor e muitas ideias equivocadas são inventadas para garantir um bom marketing de um produto – e com isso gerar mais vendas. Esta “mentira fabricada” aplicada a conceitos relacionados ao meio ambiente é chamada de greenwash. E o que fazer para não cair nessa?

A informação e o conhecimento aqui é o maior trunfo e a melhor arma para não ser enganado. Para isso, separei algumas dicas de sites e livros que falam sobre moda sustentável. Claro que não são guias de certo e errado, mas publicações onde é possível você se familiarizar com notícias e conceitos eco-fashion.

Entre os sites nacionais, destacam-se o blog Moda do Futuro, Ser Sustentável com Estilo e o Coletivo Verde. Já os internacionais são mais numerosos e entre os melhores estão EcoStiletto.com, GreenMyStyle.com, Ecouterre.com, EcoFashionWorld.com, EcoTextile.com e GreenByDesign.com.

Agora se você quer ler um livro muito gostoso e com informações reveladoras e didáticas que já vão te situar totalmente no universo eco-fashion, não deixe de ler “Eco Chic – O Guia de moda ética para a consumidora consciente”, da jornalista inglesa Matilda Lee. Ela fala tanto de tecidos e materiais sustentáveis, como o algodão orgânico e o couro vegetal, quanto de processos ecológicos de fabricação, a cultura do descartável e o comércio justo, entre outras coisas. Matilda também mostra estilistas que já fazem isso sem abrir mão do design e, no último capítulo, traz um “faça você mesmo” para quem tem dotes manuais.

Mas a grande verdade é que na indústria da moda isto ainda é relevado pelo consumidor que na maioria das vezes não se vê afetado diretamente. O problema preocupa mais quando ele descobre que um produto de beleza ou de limpeza “ecológico” ou “natural” tem ativos prejudiciais à sua saúde e à do planeta. Mas isso é assunto para mês que vem, né? (texto publicado na revista valeparaibano)

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