Casa inteligente: economia para o bolso e menor impacto para o planeta

Que o setor de construção é um dos que mais causa impacto ambiental não é de se estranhar. Talvez essa seja a principal razão pelo avanço na hora de oferecer soluções sustentáveis. E não estamos falando somente de grandes projetos, mas sim do que pode ser encontrado na hora de construir ou reformar a sua casa ou apartamento.

Em busca de opções “verdes” e inovadoras, fui conhecer a Smart Home (Casa Inteligente), uma exposição no Museu da Ciência e da Indústria de Chicago, nos Estados Unidos. Lá, pude ver um fogão com calor magnético, onde não há perda de energia visto que ele só esquenta em contato com superfície de metal – o que também aumenta a segurança dentro de casa. Além disso, um sistema de automação integra todos os ambientes e visa consumo inteligente de energia.

Mas essa visita também foi essencial para descobrir que simples decisões na hora de projetar o próprio lar pode mudar drasticamente o impacto do mesmo no meio ambiente e no nosso bolso. Resolvi, então, trazer aqui algumas ideias.

Uma questão simples, e até óbvia, é a iluminação. Janelas amplas e claraboias no teto garantem luz natural e são eficazes para diminuir o consumo de energia. É preciso levar em conta onde o sol nasce e onde ele se põe, para evitar que o calor do verão esquente o ambiente a ponto de precisar de ar condicionado.

Por falar em sistema de ventilação, a versão natural é a mais sustentável. Neste caso, é recomendado a ajuda de um profissional para planejar janelas bem dispostas a fim de ocasionar correntes de vento quando necessário e, assim, não precisar de ventilador ou ar condicionado para manter o lar fresco nem de máquina para secar roupa.

Já pensou em planejar um jardim inteligente para economizar energia? Isso mesmo. As plantas e as árvores têm também função de proteger o ambiente interno do sol e do vento. Outro recurso cada vez mais comum são os telhados verdes, ou seja, um jardim no topo da casa que, além de regular a temperatura interna, pode ajudar na recuperação do biodiversidade local e propicia a captação de água pluvial. E por que não torná-lo funcional ao criar também uma horta ou um canteiro de temperos?

Aumentando ainda um pouco o nível de complexidade de instalação, chegamos ao já mencionado sistema de captação de água da chuva ou da “água cinza” (que já foi usada em pias, por exemplo) para ser reutilizada no vaso sanitário ou ainda na lavagem de terraços e áreas externas. É possível instalar também em casas ou prédios já construídos.

Menos complicadas mas não menos eficientes são algumas simples atitudes a serem tomadas nos banheiros. A substituição da descarga pela versão “dual flush” economiza água, que é liberada em duas diferentes quantidades no vaso sanitário. Também é recomendável trocar as torneiras e chuveiros por modelos com menor vazão que não causam tal sensação.

Mas como todo brasileiros gosta de um bom banho, não adianta gastar menos água e usar um sistema de aquecimento que gaste muita energia. Agora, no inverno, é possível lembrar quão alta a sua conta de luz pode chegar. Para não cair nessa, por que não investir em um aquecedor solar? No mercado brasileiro já existem várias opções. É o primeiro passo para tornar sua casa 100% auto-suficiente no quesito energético, o que só será viável quando as placas solares de geração de energia se popularizarem no Brasil.

(artigo escrito por mim e publicado na edição de julho de 2011 na revista valeparaibano)

Loja sustentável em Carmel é um charme – e tinta ecológica merece destaque

Nunca fui das pessoas mais engajadas no mundo sustentável. Fazia o básico, como o reciclar o lixo e economizar água e energia. Mas foi pela influência da minha amiga de infância e sócia na verdinha & básica, Alice Lobo (criadora desse blog que eu adoro e sigo diariamente), e da minha irmã Maria Fernanda Franco (criadora do projeto Água na Jarra) que comecei a me interessar mesmo pelo assunto. E não é que descobri que esse mundo é fascinante!!? E a cada dia descubro coisas e produtos novos que podem ajudar nosso planeta. Sem ecochatismo, como sempre diz a Alice!!!

Durante minhas férias nesse ano, fui viajar com meu marido pela Califórnia e descobri uma loja na deliciosa cidade de Carmel – imperdível – chamada Eco Carmel. Lá vende-se de tudo: fralda, mamadeiras, lençol, malas, roupas, livros….. claro, tudo sustentável. A loja é um charme!

Mas o que eu adorei (acho que por ser arquiteta) foram as tintas ecológicas da American Clay, onde você mistura o pigmento da cor com a textura desejada. E quem acha que só tem cores de terra, se engana. Tons de verdes, azul, cinza e amarelo contracenam com os marrons e avermelhados. Dá uma olhada no mostruário abaixo. Vale uma visita pelo site www.americanclay.com


High Line Park em NYC é o lugar para conhecer neste verão americano

Há um mês estive em Nova York de férias e um dos lugares que eu fazia questão de conhecer (além da Magnolia Bakery que tem cupcakes divinos) era a High Line. Este lugar era antigamente uma linha de trem suspensa que hoje está desativada e fica no sudoeste de Manhattan em uma região super nobre. Esta área, até então abandonada, foi transformada em um parque urbano onde o concreto e o verde contracenam harmoniosamente.

Ao andar por ela, e sobre a cidade, é possível ver tanto o Hudson River como o Meatpacking District, uma região super fashion da Big Apple, onde inclusive está a loja da estilista vegana e eco-friendly Stella McCartney.

O parque reúne os novaiorquinos – e turistas – que querem passear com seus filhos, ler um livro, descansar ou ainda desfrutar do local enquanto almoçam. Flores e árvores é o que não faltam e convivem com linhas concretas e retas do seu projeto arquitetônico de renovação.

O passeio foi perfeito e vale muito a pena. Mas uma coisa eu fiquei com vontade de ver: a “section 2” deste parque urbano. Ou seja, parte da High Line ainda estava em construção. Mas nesta semana ela foi inaugurada e o site americano Inhabitat foi conferir como ficou. Dá uma olhada no vídeo abaixo que eles fizeram. Resumo: a High Line é o lugar para conhecer neste verão americano! Ficou o máximo!

Livro e dicas de arquitetura sustentável

Hoje é o lançamento do livro “Epigram + FGMF Casa Natura” (Editora C4) que traz os projetos de branding e arquitetura da Casa Natura, espaço criado pela empresa brasileira de cosmético para ser um centro de relacionamento com as suas consultoras e um local de degustação e experimentação mas que, infelizmente, não vende os produtos da marca.

A parte de comunicação foi desenvolvida pela Epigram. Já o projeto de arquitetura é assinado por Fernando Forte, Lourenço Gimenes e Rodrigo Marcondes Ferraz. Para quem se interessar por desenvolvimento de marca e/ou por arquitetura sustentável, vale passar na FNAC Pinheiro a partir das 19h.

livro-casanatura

Mas para não deixar você só na vontade, conheça 10 dicas sustentáveis para aqueles que vão construir a própria casa – sugeridas pelo escritório de arquitetura Forte, Gimenes & Marcondes Ferraz (FGMF):

1. Em primeiro lugar, é necessário um projeto de arquitetura completo, honesto e competente. Contratar bons profissionais, elaborar o projeto com calma e de forma profunda e detalhada, devidamente compatibilizado com as demais disciplinas de projeto: elétrico, hidrelétrico, ar-condicionado, entre outras;

2. Respeito pela cidade: observar o impacto da construção no entorno, desde a fase de projeto (interferência nas vistas e sombreamento dos vizinhos e da rua, criação de espaços abertos para o exterior, evitar muros que criem um espaço urbano de pior qualidade e abrir jardins, por exemplo) até a construção – atenção à limpeza do entorno da obra, logística de caminhões, barulho e outras interferências com a vida dos vizinhos;

3. Usar materiais reciclados e/ou recicláveis. Por exemplo, todo o material da estrutura da Casa Natura é reciclável (aço), assim como boa parte dos fechamentos (vidros, revestimento metálico, etc);

4. Preferir, sempre que possível, uma construção limpa e seca. Isso é definido em projeto, na opção dos sistemas construtivos (estruturas pré-moldadas de concreto ou aço, dry-wall, entre outros), e continua durante a obra com um planejamento adequado de execução e gestão do canteiro. Além de ser mais rápida, a obra tem menos desperdício e gera menos entulho;

5. Aproveitar o clima brasileiro que é generoso e permite amplas aberturas e ventilação cruzada. Atenção para o adequado sombreamento e a correta orientação conforme os ventos do inverno e do verão. O resultado pode ser uma bela conexão entre espaços externos e internos, aumentando não só a percepção da dimensão dos espaços, mas também a qualidade do resultado final.

6. Aproveitar os recursos de forma otimizada: sistemas de redução de consumo de água e energia elétrica, reaproveitamento de águas pluviais, redução do consumo de ar-condicionado pela correta disposição de aberturas para ventilação cruzada, sombreamento e uso de plantas como elementos de resfriamento.

7. Redução do impacto nas infraestruturas urbanas: uso de teto jardim, áreas permeáveis no térreo e reuso de água reduzem a contribuição da casa no sistema de drenagem urbano, o que contribui para a mitigação de enchentes. Da mesma forma, o tratamento de efluentes trata o esgoto antes de jogá-lo na rede, diminuindo o custo de tratamento para a cidade. A economia de energia também permite uma rede menos sobrecarregada.

8. Redução do custo na manutenção: o uso de materiais laváveis, como o revestimento de aço pintado, diminui o custo de manutenção e também reduz o uso, no futuro, de novas demãos de tintas, vernizes e outros produtos poluentes.

9. Paisagismo adequado ao clima: a escolha de espécies locais adequadas ao nosso clima e regime pluviométrico permite não só um paisagismo coerente com o lugar, como também otimiza o consumo de água e estimula um equilíbrio de pássaros, insetos e outros animais originais da região.

10. Escolher uma localização que permita o deslocamento a pé para atividades cotidianas, próximo ao sistema de transporte público da cidade e/ou com topografia adequada à bicicleta. É importante as pessoas se conscientizarem de só usarem o carro em última instância – além de evitarem poluir o ar e congestionar o tráfego, ainda trarão benefícios à saúde, com redução do estresse e melhor condicionamento físico.

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