Os ventos “cantaram” alto, muito alto

Como é possível perceber pelo conteúdo das minhas colunas, sou uma pessoa que respeita muito a natureza. Estou sempre tentando preservá-la e minimizar meu impacto ambiental. Mas nunca pensei nela como uma ameaça. Nem imaginei que um dia teria medo dela. Mas foi o que aconteceu no último 29 de outubro quando o furacão Sandy passou por aqui.

Quatro dias antes de sua chegada recebi um SMS de uma amiga perguntando se estava sabendo do Sandy. Logo fui pesquisar e vi as notícias, que depois tomaram conta da minha televisão até o momento que acabou a luz, às 20h30 daquela segunda-feira.

Mas, no momento que soube da existência do furacão, liguei para o meu marido e pedi para que ele passasse no supermercado e comprasse um carregamento de água, leite em pó e papinha para meu filho de então 7 meses. Claro que esqueci de pedir comida para nós, os adultos, mas ainda bem que ele lembrou. Afinal, precisaríamos ficar bem para cuidar do nosso pequeno.

Durante o final de semana, nos preparamos para ficar sem luz por até 10 dias. Além da comida, compramos lanternas e luminárias(de LED, claro), rádio de pilha e cordas para amarrar alguns móveis do quintal. Enchemos os taques dos carros de gasolina e as banheiras com água, em caso da mesma acabar. Tiramos todos os móveis menores de fora de casa e colocamos na garagem.

No dia do furacão, aumentamos o aquecedor da casa e de água e diminuímos a geladeira para o mais frio possível. Assim, se acabasse a luz, conseguiríamos uma “sobrevida” dos alimentos e da temperatura interna.

Nos dias que antecederam o furacão Sandy, autoridades e programas de televisão vinham avisando o que devia ser feito e como cada uma das áreas seria afetada. Fiquei impressionada com a organização do governo e da sociedade para minimizar todo e qualquer risco para a população.

Quando o governador Chris Christie falou que se tomássemos as medidas sugeridas e ficássemos dentro de casa estaríamos seguros, confesso que fiquei mais tranqüila. Afinal, ele e sua equipe me pareceram muito certos no que estavam fazendo e falando. Aliás, até concordo com ele quando chamou de “burros” aqueles que se recusaram evacuar áreas designadas como obrigatórias pelo Estado.

Mas mesmo assim, claro, deu um frio na barriga quando comecei a escutar os ventos aumentarem e “cantarem”, como expliquei para meu filho que ficava procurando de onde vinha aquele barulho. A noite na qual Sandy passou por aqui até que consegui dormir bem – no quarto do meu filho e acordando de pouco em pouco para ver como ele estava, mas consegui descansar do estresse pré-Sandy.

Na terça-feira cedo, quando olhei pela janelas, só vi uma árvore caída na casa da frente. Mas foi só. Pensei, será que a cidade toda está intacta assim? Torci para que estivesse. Mas quando sai de casa percebi que infelizmente não. O cenário não era dos mais agradáveis. Muitas árvores relojes de imitacion caídas em ruas e em cima de casas, placas e sinalizações arrancadas do chão, semáforos caídos no meio das ruas, entre outros estragos.

Como estávamos sem aquecimento e estava esfriando, fomos para a casa de uma amiga que ainda tinha eletricidade, onde fomos acolhidos com maior carinho por 5 dias (até voltar a nossa luz). Quando chegamos na sua rua, o susto foi maior ainda. Muitas casas tiveram cômodos inteiros destruídos por árvores que caíram em cima da casa. Como a construção aqui é de madeira com dry wall as paredes foram arrancadas e era possível ver, da rua, o interior da casa.

Neste momento, agradeci à natureza por ter sido boa com a minha família. Mas, principalmente, agradeci a Deus por ter nos protegido. E venho fazendo isso todos os dias, sempre que escuto histórias de pessoas que não tiveram tanta sorte como eu e perderam muita coisa com a passagem deste furacão.

Mais do que nunca, precisamos respeitar a natureza. Ela sabe muito bem como ficar brava com a gente.

(coluna escrita por mim e publicada na edição de dezembro de 2012 da revista valeparaibano)

 

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