Lixo compactado: menos gasto, mais limpeza e mais saúde

“Moro, num pais tropical, abençoado por Deus, e bonito por natureza. Mas que beleza! Em fevereiro, tem Carnaval, tem Carnaval…” Quem nunca dançou ao som da música de Jorge Ben Jor e teve orgulho de ter nascido no Brasil e de promover a maior festa do mundo? Apesar de ter esta sensação, confesso que existe um senão que me incomoda muito: o lixo gerado nas ruas, avenidas, parques, praças, e sambódromos. E todo ano, depois da Quarta-feira de Cinzas, matérias em jornais e TVs mostram o “estrago” da folia.

Por isso, resolvi abordar na coluna deste mês uma solução inovadora que conheci em Chicago e em Nova York no ano passado e vejo que está cada vez mais sendo adotada por cidades de New Jersey, onde estou morando. Destinada a locais abertos com alto número de transeuntes, está sendo instalada em espaços públicos dos Estados Unidos e de mais 30 países.

O Big Belly Solar é um recipiente coletor de lixo com compactador interno de resíduos que usa replicas relojes españa  somente a energia do sol para o seu funcionamento. Ou seja, ele amassa os detritos e é capaz de abrigar 5 mais vezes lixo no mesmo cesto. Existe a versão para lixo orgânico e para lixo reciclável. Entendeu a magnitude desta invenção? Num primeiro momento pode parecer simples e bobo, mas vamos pensar em tudo que está por trás disso.

A coleta de lixo nas ruas, parques, praias, instalações e outros locais públicos é uma atividade extremamente cara e poluente, pois precisa de veículos trafegando diariamente que emitem gases. Contudo, cada vez mais a população quer – e com razão – que este serviço tenha um nível satisfatório, sem gastar muito dinheiro dos impostos que pagamos e, de preferência, usando práticas mais sustentáveis. Afinal, quem não sonha com uma cidade limpa e despoluída?

Pois bem, seguindo o raciocínio, o primeiro ponto positivo deste compactador de lixo é que ele reduz drasticamente a freqüência da coleta de resíduos gerando uma economia de 70% a mais de 80%. Isso sem falar no benefício ambiental.

A cidade da Filadélfia, na Pensilvânia, economiza 900 mil dólares por ano após a substituição de 700 cestos convencionais pela versão com compactador solar, uma previsão de 13 milhões de dólares em dez anos. Em 2009, o município coletava 17 vezes por semana o lixo em três turnos de trabalho. Um alto custo e uma alta emissão de gases. Em 2011, depois de adotar o produto, o resíduo é recolhido em media 2,5 vezes por semana em somente um turno.

Além da economia financeira e ambiental, o design deste “cesto de “lixo” propicia que todo e qualquer resíduo fique hermeticamente fechado, evitando odores e prevenindo que pombos, ratos e outros animais tenham acesso ao mesmo, o que pode acarretar na geração de alto nível de E.Coli e outras doenças. Ou seja, evita um problema de saúde pública ao manter a área limpa. Pensando nisso, a cidade de Chicago, em Ilinóis, adotou o compactador solar nas suas “praias” ao redor do lago Michigan, o que evita que as mesmas sejam fechadas devido aos problemas de pestes causados por aves que se alimentam dos resíduos no verão.

Assim como as pequenas atitudes geram grandes mudanças, as pequenas invenções são capazes de fazer uma enorme diferença a favor do planeta, do bem-estar e do bolso. Já que o Brasil importa tantas ideias internacionais, por que não adotar mais esta? Não sei se resolveria o problema do lixo do Carnaval, mas com certeza este seria minimizado. E deixaria locais públicos limpinhos o resto do ano. Afinal, nosso país é bonito por natureza, mas temos que mantê-lo, não?

(coluna escrita por mim e publicada em fevereiro de 2012 na revista valeparaibano)

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Comments

  1. Ivania says:

    Olá! Adoro seus posts e tenho sentido muita falta de lê-los. Um grande abraço!

  2. Coincidência ou não. Eu estava a procura na internet de uma lixeira que compactasse lixo (especialmente papel toalha de lavatórios) quando deparei com esta magnífica invensão/iniciativa.
    Caso vc tenha conhecimento de onde encontrar esta lixeira no Brasil, favor de informar. A natureza lhe será grata.

    att

    Anderson
    Coordenador do Campus
    FOP/UNICAMP

  3. Adorei a matéria. Eu fiquei imaginando isso, por exemplo, na minha cidade, mas acho que as comuns seria melhor mesmo. Porque se as comuns e baratas são acorrentadas com cadeados, imagina essas?

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