Ethical BioTrade no ano da Biodiversidade
Na última quarta-feira (19) tive a oportunidade de participar da conferência internacional “Abastecimento com Respeito” (“Sourcing with Respect”) voltada ao mercado cosmético e realizada pela Union for Ethical BioTrade (UEBT) na sede da Natura, em Cajamar (SP). Bom, vou deixar meu impulso de falar sobre como é linda a fábrica, um sonho para quem ama questões eco, e vou direto ao assunto.
A UEBT é uma associação idealizada em 2006 mas criada efetivamente em 2008 e que tem como proposta medir o impacto das indústrias na biodiversidade.

Aliás, para quem não sabe, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2010 o Ano Internacional da Biodiversidade. E como não podia deixar de ser, o dia de palestras e conversas apresentou o vídeo oficial da ONU, que é possível ver abaixo. Vale a pena, pois as imagens são bonitas e os dados alarmantes. Só para se ter uma noção, cerca de 130 espécies de vida entram em extinção por dia!
O dia começou com apresentação de Gus Le Breton, fundador da PhytoTrade Africa e presidente da UEBT. Ele explicou o que é a Union for Ethical BioTrade. “É uma associação e não uma certificadora. A diferença é que nós ajudamos os nossos membros a chegarem aos padrões exigidos pelas certificadoras e não fazemos a avaliação ou auditoria“, explica ele.
Gus ainda falou sobre o ano da biodiversidade e os novos objetivos que serão definidos neste ano pela Convention on Biological Diversity (CBD), fato que acontece a cada 8 ou 10 anos. Sobre a relação de empresas com a biodiversidade, ele comentou: “Não faz sentido na visão empresarial destruir a biodiversidade. Não existe nenhum outra espécie que se auto destrói.”
Juan Marco Alvarez representou a International Union for Conservation of Nature (IUCN), instituição fundada em 1948 e que hoje conta com 1100 membros de 160 países e tem 62 escritórios pelo mundo e mais de mil funcionários. O objetivo é encontrar soluções práticas para os maiores problemas e desafios ligados ao meio ambiente e desenvolvimento Para isso, investe em pesquisa e mobiliza governos, ONGs e sociedade civil para alcançar melhores práticas e implementar políticas.
Um estudo que será apresentado na íntegra em julho mostra que metade da população do mundo terá escassez de água até 2025. Este mesmo relatório indica os principais desafios e o que podemos fazer hoje para ajudar a biodiversidade. Entre os maiores desafios estão reconhecer os limites do planeta, redefinir os conceitos de sucesso e progresso, gerar mais valor para a biodiversidade, desenvolver soluções e aumentar a qualidade de vida.
Mas o que já podemos fazer hoje? Reconhecer a biodiversidade, medir as pegadas de carbono, água entre outros impactos ambientais, testar novas abordagens, comunicar a ideia e o conceito de biodiversidade e advogar entre governo e empresas.
Entre outras ideias apresentadas, Juan Marco ressalta que é importante transformar riscos em oportunidades. “As empresas têm de liderar nesta crise que estamos vivendo“, afirma ele.
A conferência teve ainda muitas outras apresentações e palestras, além de ter trazido uma pesquisa sobre biodiversidade com consumidores, empresas e mídia. Mas como ainda falaremos muito neste tema, vou deixar para ir contando pouco a pouco cada dia.



