Já ouviu falar da Kayu, marca americana de que faz óculos escuros de bambu? Eu conheci a fundadora e designerJamie Lim em fevereiro na Estethica durante a London Fashion Week. Veja abaixo o vídeo que eu fiz com ela.
Um dos estilistas eco-fashion que está despontando mundo afora é o ingles Christopher Raeburn, cujo trabalho eu conheci ao vivo em fevereiro na Estethica, durante a London Fashion Week.
Na Vogue norte-americana de agosto, uma página é dedicada ao seu trabalho com foto da atriz Blake Lively (a Serena, de Gossip Girl) que ocupa quase todo espaço e um texto falando sobre a sua próxima coleção de outono (do Hemisfério Norte).
As parkas que eu vi no começo do ano e que até apareceram em vídeo do Verdinho Básico (veja abaixo) foi feita com “seda” pará-quedas usados, presente também em criações desta próxima temporada.
Mas a novidade fica por conta de tecidos de uniformes e objetos militares da Segunda Guerra Mundial encontrados em velhos armazéns do Reino Unido e naturalmente tingidos. A peça usada por Blake na Vogue é feita com tecidos de jaquetas para batalha que nunca foram usadas. Ela traz ainda as etiquetas originais.
“Está procurando pelo casaco perfeito de outono? Lembre-se dos 4 Rs: reduza, reuse, recycle e Raeburn”, escreveu a jornalista Florence Kane na Vogue.
O que é melhor: usar guardanapo de papel ou de pano? Um gera lixo e o outro gasta água. E o lixo para reciclagem, será que ele realmente é reciclado? E o plástico biodegradável, é verdade que muitos deles liberam metais pesados no solo durante a sua decomposição?
Estas são apenas algumas das milhares de dúvidas e questionamentos que os consumidores estão começando a ter/fazer. E ainda bem! É sinal de que estão adquirindoconsciência e querem transformá-la em atitude.
Veja abaixo vídeo com a antropóloga Lígia Krás falando sobre pesquisa da Mindset que detectou que o consumidor está chegando em uma encruzilhada e a arquiteta e ambientalista Marussia Wathely comentando este assunto. Gravado no debate sobre comportamento verde organizado pelo Estadão e Livraria Cultura no mês passado.
Sabemos que a Classe Média alargou e que hoje muito mais gente tem acesso a diversos produtos e bens que não tinham no passado. O jornal O Estado de S. Paulo trouxe uma matéria na última segunda-feira (2/8) sobre o poder do consumidor da Classe D que pela primeira vez na história supera a Classe B e ocupa o segundo lugar, só perdendo para o consumo da Classe C.
É claro que quem antes não tinha carro, televisão, microondas, freezer, lava-louças, roupas e maquiagens bacanas não está nem pensando em abrir mão desta conquista. E não tem que abrir mão mesmo. Depois de tanto tempo de desigualdade social e baixíssimopoder de consumo enquanto as Classes mais altas se esbaldavam, não é justo privar as famílias de seus “luxos necessários”.
O que pode haver, sim, é uma mudança na hora do consumo por todas as Classes. Evitar desperdício é um bom começo. E exigir produtos sem mão de obra explorada e alto impacto ambiental deve ser levado em consideração, assim como preço, qualidade e beleza também já são.
A conquista do consumo versus o consumo consciente foi um dos pontos discutidos no Encontro Estadão & Cultura sobre comportamento verde, realizado no mês passado. Veja abaixo um trecho muito interessante colocado pela psicóloga Beth Furtado.
A Natura lança em setembro sua linha de maquiagem premium que alia sofisticação, performance e sustentabilidade. As texturas inovadoras são combinadas com tecnologia antissinais e ativos vegetaisrenováveis da biodiversidade brasileira.
“Natura Una incentiva a mulher a revelar a sua beleza singular, aquela que é só dela. Daí o nome Una, que vem do latim unus”, diz Mônica Gregori, diretora de unidade de negócios da Natura.
A diretriz da empresa é buscar ingredientes vegetais sustentáveis de baixo impacto ambiental e alta eficácia e tecnologia. Só para desenvolver a linha Natura Una foram três anos de pesquisas e cerca de 40 profissionais envolvidos.
“Entre os responsáveis por melhorar a textura e conferir performance sensorial superior à linha estão o finíssimo talco de babaçu, a manteiga de ucuuba e os ésteres de jojoba e sapucainha, que deslizam facilmente e deixam a pele mais homogênea. Além disso, conferem maciez, toque seco, aveludado e sensação de pele natural“, afirma Luciana Villa Nova, gerente de pesquisa e desenvolvimento de produtos da Natura.
“Natura Una ainda previne o envelhecimento precoce graças ao Complexo Antioxidante Natura, elaborado com vitamina E, licopeno e extrato de café verde, FPS 15 e alta proteção UVA fotoestável, de acordo com as novas recomendações europeias“, explica Luciana.
Para quem tem inchaço sob os olhos, os ativos de éster de sapucainha siliconado têm efeito anti-inflamatório e reduzem este problema. E quem sofre com olheiras, saiba que os extratos de gingko biloba e castanha-da-índia melhoram a microcirculação, a oxigenação e a nutrição dos tecidos da região, minimizando estes sinais.
E para fechar com chave de ouro, as embalagens foram desenvolvidas de maneira sofisticada e com a redução do uso do plástico, ao trazer sistema de refilagem.
Confira abaixo o vídeo que eu fiz na apresentação de Natura Una para a imprensa e a minha vivência com esta linha sob as mãos do maquiador Daniel Brazil, que dá algumas dicas.
Uma leitora chamada Aline mandou um comentário para o Verdinho Básico com o link da matéria que a revista Página 22 da FGV fez sobre a indústria da moda, na última edição do São Paulo Fashion Week. Eu sabia que a pauta estava sendo feita, mas ainda não tinha visto publicada. Obrigada, Aline.
Com o título O eco do fashion, a matéria é uma dura crítica - e merecida - ao mercado da moda. Com algumas ironias que beiram o sarcasmo referente ao comprometimento sustentável do SPFW e de alguns estilistas, ela trata de assuntos sérios, relembra o escândalo do uso de trabalho escravo na China pela Nike, fala sobre o upcycling (conceito que apareceu na grande imprensa brasileira em matéria que escrevi para o jornal O Estado de S. Paulo em fevereiro deste ano), de fast-fashion, consumo consciente e até do livro O Império do Efêmero de Gilles Lipovetsky.
Um dos únicos pontos que discordo é quando a repórter Carolina Derivi escreve: “Até a poderosa Osklen, uma das referências do mundo da moda nesse quesito, absteve-se do uso de materiais ambientalmente responsáveis na temporada de verão em 2009. Com o mote “samba”, a coleção esbanjava brilhos sintéticos. À imprensa especializada o estilista Oskar Metsavaht teria dito que nada pode ser mais importante que a liberdade criativa.”
Discordo pois não existe marca ou empresa 100% sustentável e concordo que hoje não haja material “verde” para fazer tudo que se quer. É inviável. E criticar uma empresa que leva isso tão sério por não usar material ambientalmente responsável em uma coleção é injusto. Até porque muitas das outras práticas da empresa continuaram sendo sustentáveis mesmo quando do uso de sintéticos (que conforme seu processo produtivo também pode ter baixíssimo impacto ambiental).
Sem dizer que a reportagem esqueceu de mencionar que nesta última estação a Osklen tingiu todas as peças da passarela de forma natural com base vegetal além de usar algodão orgânico e que na coleção passada também trouxe diversos materiais sustentável como feltro reciclado, palha de seda ecológica, lã orgânica e couro ecológico. Enfim, criticar principalmente a empresa que mais leva esta bandeira à sério não me pareceu responsável.
Mas no final do texto, fica a esperança de que se a moda é capaz de se reinventar, ela será capaz de transformar o consumo desenfreado em sustentável.
Você quer emagrecer, relaxar ou desestressar da forma mais natural possível? Comece se desintoxicando com uma alimentação totalmente orgânica. Isto é o que propõe a Lapinha Spa, localizada há 85 quilômetros de Curitiba (PR).
Esta clínica é adepta à medicina naturista. Conhece?
Veja o vídeo abaixo com imagens do local e entrevista com o médico responsável.
A Osklen trouxe no segundo dia do SPFW uma passarela inteira em diversos tons de azul, começando do mais claro até chegar no marinho. A cor foi escolhida por Oskar Metsavaht, dono e diretor criativo da marca, com base em um mergulho que fez no Caribe e outros no Rio de Janeiro. Não é à toa que a coleção se chama Oceans.
O algodão orgânico marcou presença na coleção, mas a grande novidade ficou por conta do trabalho de tingimento natural que a equipe de estilo fez em parceria com um dos maiores entendedores do assunto, Eber Lopes Ferreira.
Oskar contou que uma semana antes do desfile a coleção estava inteira pronta na cor crua do tecido e que ele e sua equipe se mudaram para o ateliê do Eber para conseguir os diversos tons de azul que brilharam nas passarelas. A experiência, segundo ele, foi incrível. E o resultado, segundo a plateia, também.
Confira abaixo algumas fotos de divulgação do desfile by Agência Fotosite e o vídeo que eu fiz com o Oskar no backstage + imagens do desfile.
O primeiro desfile do segundo dia do SPFW foi o da Iódice. Não precisa dizer que eu fui conferir de perto. Entrei no backstage e fusua paixão pelo tema sustentabilidade continua firme e forte. Tanto a pessoal como a do flerte de sua marca com a sustentabilidade.
Ele se diz empolgado com projetos no Amazonas e adotou uma unidade de conservação com mais de 200 famílias. Cada peça vendida da Iódice vaidoar 1 real para ajudar esta comunidade. Os projetos iniciados na temporada passada de capitação de artesãos amazonenses também está de pé.
Fui conversar com o Valdemar Iódice. A Iódice trouxe o tucumã de novo, mas desta vez em forma de canutilho que aparece bordado em peças. A pele de pescada fez sucesso no que Valdemar chamou de mini-baús, umas bolsinhas lindas que apareceram diversas vezes pelo desfile, e com várias combinações em preto, marinho e cru.
A cortiça apareceu também neste modelo de bolsa e nos sapatos e cintos. Além disso, Valdemar diz que o tingimento do couro de suas peças é feito com base vegetal, e não com químicas prejudiciais ao meio ambiente.
Veja abaixo as fotos de divulgação SPFW by Agência Fotosite e o vídeo com a minha conversa com ele e cenas do desfile.
Hoje foi o primeiro dia da semana de moda paulista, o São Paulo Fashion Week. Lá fomos eu e a Ana Balbachevsky de backstage em backstage saber se algo sustentável ou eco-fashion vai rolar na coleção ou na passarela de algum estilista ou alguma marca, seja roupa, cenário, acessórios, enfim alguma luz verde no fim do túnel.
Confesso que neste primeiro dia fiquei bem desanimada e decepcionada com a falta de moda “verde”. Nada, gente, juro! Cá entre nós, o Fashion Rio não mostrou muita novidade verde ou sustentável também. Um coisinha aqui e outra ali. E só.
Mas nos resta torcer para que os próximos dias nos rendam mais frutos. Amanhã Iódice e Osklen prometem novidades sustentáveis. Vou conferir e conto para vocês.
Ah, a única referência à natureza hoje foram flores no cabelo, tanto da Erika Ikezili com chapéus loucos como na Rosa Chá. Dá uma olhada no vídeo abaixo que fiz no desfile da Erika.