Tendência fashion: reciclagem de roupa

Já pensou em reciclar suas roupas usadas? Pois é, a rede sueca de fast fashion H&M (Hennes&Mauritz) acaba de lançar o primeiro programa mundial de reciclagem de vestuário. Segundo a marca, 95% das peças “velhas” jogadas no lixo poderiam ser reutilizadas ou ter os seus tecidos reciclados.

Para incentivar a clientela a aderir a ideia, a H&M dá um voucher com desconto para cada sacola de roupas entregue na loja. Nos Estados Unidos, o desconto por sacola é de 15% na compra de uma peça de qualquer valor. Em Londres, este cupom é de 5 libras e pode ser usado nas compras acima de 30 libras. Cada cliente pode levar no máximo duas sacolas por dia. A boa notícia é que a marca aceita receber qualquer peça e de qualquer marca.

O objetivo é diminuir o impacto ambiental da indústria da moda ao reduzir o lixo que vai para os aterros. As peças recolhidas nas lojas são enviadas para o centro mais perto da H&M e separadas conforme sua condição de uso.

Aquelas que ainda podem ser usadas são vendidas como “segunda mão”. As que não estão em bom estado para uso são convertidas em pano para limpeza. Peças cujos tecidos estão ruins são recicladas. Suas fibras são reaproveitadas para fazer novos tecidos ou podem ser usadas como enchimento e ou isolante na indústria de automóveis. Quando nenhuma das opções anteriores é possível, as peças são usadas para produzir energia.

A marca afirma que a receita obtida com esta ação será convertida em doações para instituições de caridade, investimento em inovação para reciclagem e descontos para os clientes.

Apesar da H&M ainda não ter aberto sua tão prometida loja no Brasil, a idéia é válida e podia servir de exemplo para tantas outras marcas com alcance nacional.

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Em outras indústrias, os programas de reciclagem já são mais freqüentes. A renomada grife de maquiagem MAC tem um projeto antigo e bem legal. É possível ganhar um batom ao levar seis embalagens de produtos MAC. Já o Boticário recolhe frascos usados nas suas lojas. Aqui nos Estados Unidos, a marca de beleza Origins tem um projeto desde 2009 e até hoje já coletou mais de 15,5 mil quilos de embalagem cosmética das mais diversas grifes.

A gigante de tecnologia Apple recicla equipamentos eletrônicos antigos e, quando eles têm algum valor de mercado, a empresa dá um gift card ao cliente. O montante depende do produto. São aceitos iPhone, iPad, computadores e notebooks Mac ou PC. Quem quiser descartar um iPod velho ou celular de qualquer marca ganha 10% de desconto na compra de um iPod novo (menos no modelo Shuffle).

Estas e outras iniciativas para minimizar o impacto ambiental mostram que as empresas têm mais uma responsabilidade no ciclo de vida dos produtos que fabricam e vendem: o descarte. As ideias mais inteligentes são aquelas que estimulam o cliente participar e revertem esta obrigação em benefícios para o consumidor e para a marca. Todos saem ganhando e o planeta agradece.

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(Matéria escrita por mim e publicada na edição de maio de 2013 da revista valeparaibano)

Em um ano, dos livros pediátricos para os blogs de mães

Nem parece, mas um ano se passou desde o momento mais emocionante da minha vida. Meu filho acaba de comemorar o seu primeiro aniversário e posso dizer que os últimos doze meses foram muito intensos e felizes. Quantas coisas eu, meu marido e meu filho aprendemos juntos e vivemos. Mas o mais impressionante é o quanto o Nick cresceu. Ele era micro, nem se mexia direito, e agora já sai correndo de mim engatinhando e fica em pé toda hora, indo de um carrinho para um brinquedo para um sofá. Já está quase andando sozinho. Não só ele cresceu como nós, pais, amadurecemos.

Quando estava grávida, lembro que não largava os livros do pediatra norte-americano Dr Benjamin Spock ou o da encantadora de bebês Tracy Hogg. Lia tudo com antecedência para saber o que fazer quando me deparasse com tal situação. Isso sem contar o site BabyCenter.com, que me acompanhou diariamente durante toda a gravidez e nos primeiros meses do Nick. E foram todos muito úteis. Recomendo.

Mas de um tempo pra cá, venho percebendo que minha sede por estudar as fases e os próximos desafios do Nick vem diminuindo muito. Até parei de apelar pro Google quando ele fica doentinho. Acho que muito disso deve-se ao fato de que cada criança desenvolve de um jeito e num tempo diferente. Mas também esta attitude tem a ver com a confiança dos pais. Eu e meu marido temos criado o Nick como achamos melhor. Acho que estamos seguindo os nossos instintos mesmo. Até porque não existe o certo ou o errado na maioria dos casos.

Com isso, tenho gostado cada vez mais de ler blogs de mães. Isto porque elas contam experiências, dividem ideias e aflições e dão dicas reais que vão além das teorias e da medicina. Tratam de situações do dia a dia pelas quais todas as mães passam. E os comentários dos posts viram uma sala de bate-papo com troca de opiniões. Quem nunca teve problema com uma criança no supermercado ou no restaurante? Como lidar com os eletrônicos na vida do pimpolho? Qual mulher que não quer dicas para recuperar a forma depois do parto?

Outros blogs tratam de assuntos mais específicos, como viagem com os filhos, programas para fazer com as crianças, ideias para festa, roupa e receitas. Enfim, tudo o que um mãe, que também é uma mulher e uma profissional, procura saber para curtir o filho, e a vida.

Então, para os pais de plantão, aqui vai uma listinha. Ah, ela também serve para os avós e tios.

Mãe da Rua – www. maedarua.com.br
De Mãe para Mãe – estilo.br.msn.com/demaepramae/
NY with Kids – www.nywkids.com
Just Real Moms – www. justrealmoms.com.br
Mamãe tá ocupada – www.mamaetaocupada.com.br
Salto Alto e Mamadeiraswww.saltoaltoemamadeiras.com.br

Mae da Rua

 (Artigo escrito por mim e publicado na edição de abril de 2013 da revista valeparaibano)

Um caos anunciado

Todo comeco de ano é a mesma coisa: casas desbarrancam e pessoas morrem, favelas ficam inundadas e os moradores perdem tudo e carros ficam submersos. Enfim, é um caos anunciado. Será que os diversos setores não vão se mobilizar para tentar minimizar o estrago dessas chuvas? Que tal um planejamento amplo que envolva ações de curto, medio e longo prazo?

Ter passado por um furacão e por algumas tempestades de neve aqui nos Estados Unidos me fez perceber que é possível sim garantir a segurança mesmo em situações extremas. Mas para isso é preciso um mínimo de planejamento e organizacão do governo em parceria com a mídia, com as empresas e com a sociedade.

O ponto de partida neste caso é simples: olhar a previsão do tempo, acreditar nela e planejar o seu dia. Se você é autônomo ou tem alguma flexibilidade de horário, por que não se programar para já estar em casa quando a chuva começar?

Aqui, empresas e escolas fecham mais cedo (ou nem abrem) nos dias que as condições climáticas são mais críticas. Funcionários trabalham de casa, com mais segurança e tranquilidade. E as criancas têm o dia de folga. Por que o mesmo não pode acontecer em uma cidade como São Paulo para inúmeros cargos e funções nesses casos de emergência? Para isso, basta que as empresas estejam preocupadas com o bem-estar dos seus funcionários.

Já o papel da mídia americana nestas situações é mostar como se preparar para tal problema, informar sobre a previsão do tempo e mudanças de condições a todo momento. Televisão e rádio funcionam como um agregador de informações para ajudar a população, trazendo updates do trânsito, das linhas de trem, metrô, aeroporto, regiões mais afetadas, etc. Com certeza o mesmo poderia estar na pauta das redações brasileiras.

E o governo, qual seu papel em dias de chuva no Brasil a não ser o de tentar resolver os problemas já causados pela enchente? Anunciar um toque de recolher mais cedo, construir piscinões e garantir parâmetros de segurança para o escoamento de água nas novas obras já seria um bom começo.

Mas o triste é que a dificuldade de planejamento e de adotar medidas preventivas da cultura brasileira faz com que milhares de pessoas sofram todo ano por causa do mesmo problema. Errar uma vez é humano, mas insistir no erro é burrice. Não acham?

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(Matéria escrita por mim e publicada na edição de março de 2013 da revista valeparaibano)

A revolução da educação está nas telas

A tradicional frase “Saia do computador e vá estudar” está perdendo o sentido nos dias de hoje. O que antes era visto como entretenimento e passatempo, hoje já pode ser considerado sinônimo de aprendizado e acesso à educação de ponta.

Esta é a proposta da Khan Academy e do iTunes U. Este último oferece aulas gratuitas, seja em áudio, vídeo ou texto, de diversas e renomadas universidades do mundo todo. Elas podem ser acessadas por aplicativo de iPad, iPhone, iPod Touch ou mesmo pelo computador. Para descobrir as aulas basta procurar cursos pelas áreas do seu interesse ou pela lista das universidades. Uma busca por um assunto mais específico também pode ser feita. Entre as faculdades que disponibilizam material gratuito estão a New York University, a Columbia University, o MIT (Massachussets Institute of Technology), a Harvard University, a Cambridge University entre muitas outras famosas instituições.

Já a Khan Academy, fundada em 2006 pelo norteamericano Salman Khan, é uma empresa que fornece gratuitamente conteúdo educativo para estudantes do ensino fundamental por meio de vídeos postados no Youtube. Sua proposta é simples: em vez dos professores gastarem seu tempo com aulas expositivas e pedirem que os alunos façam lições de casa sobre o assunto, eles devem aprender o tema assistindo às aulas no Youtube e chegar na classe com dúvidas a serem esclarecidas ou prontos para responder questões e desafios do professor. Assim este passa a ter o papel de tutor e garante maior interação na sala de aula, como é feito na tradicional universidade inglesa de Oxford.

O mais encantador disso é pensar que uma criança menos privilegiada de um país pobre pode ter a mesma aula que os alunos das melhores escolas do mundo. Basta ter sede de informação para aprender. Hoje já sao mais de 3.800 videoaulas de cerca de 10 minutos cada e mais de 200 milhões de acessos. O segredo está na maneira didática e atraente como as matérias são exibidas.

No mês passado a Fundação Lemann assinou um contrato de 5 anos com a Khan Academy para traduzir todo o conteúdo para o português e disseminar a ideia no Brasil. Mas antes mesmo da parceria estar no papel, 400 vídeos haviam sido traduzidos e usados por 10 escolas públicas de São Paulo e Santo André. A aceitação parece estar sendo boa, pois os alunos estão faltando menos e participando mais na classe.

Esta revolução na educação tende ao sucesso, pois traz algo atraente aos jovens de forma que o aprendizado seja mais prazeiroso. Agora só nos resta torcer para que as escolas “comprem a ideia” e que os governos invistam em infraestrutura para que as escolas e os alunos tenham acesso à internet.

(coluna escrita por mim e publicada na edição de fevereiro de 2013 da revista valeparaibano)

Com armas, loucos tornam-se perigosos

Quando acontece uma tragédia como a que chocou o Estado norteamericano de Connecticut no mês passado, muitos medos e valores passam pelas nossas cabeças e questões voltam a ser discutidas. Como alguém pode entrar em uma escola e matar crianças indefesas? Por que fatos como estes estão se tornando frequentes nos Estados Unidos? Qual a patologia social em torno disto? Por que os americanos ainda são contra o desarmamento da população civil?

Não pretendo encontrar respostas tampouco discutir todos estes assuntos aqui, que merecem total atenção da mídia e devem ser refletidos por todos os cidadãos.

Como disse o próprio presidente Barack Obama, qual pai ou mãe, depois de ter ouvido a notícia, não abraçou o seu filho e disse que o amava muito? Pois é, claro que eu fiz isto. O meu coração mandou. Mas na minha cabeça, diversos pensamento e possibilidades não paravam de surgir. E se meu filho estivesse nesta escola? Será que o berçário que ele vai daqui um mês tem segurança o suficiente para evitar que um louco machuque crianças indefesas? E, claro, como estrangeira neste país, a seguinte constatação não fugiu dos meus pensamentos: “no Brasil este tipo de violência não acontece”. Foi aí que pensei. É, realmente este sintoma psicopata a sociedade brasileira não possui, pelo menos não nesta intensidade.

Mas, por outro lado, outro tipo de violência assusta cada vez mais os moradores das principais capitais estaduais brasileiras. Antigamente era possível traçar as regiões mais perigosas do Rio de Janeiro ou de São Paulo. Hoje isso não acontece, pois a violência está espalhada. A diferença é que no Brasil estes crimes contra um cidadão comum estão ligados à condição social e normalmente financeira do bandido. Já nos Estados Unidos, mesmo membros da classe média ou média alta cometem crimes hediondos, normalmente por algum distúrbio psicológico.

Mas será que no Brasil temos menos loucos do que na terra do Tio Sam? Muitos podem discordar, mas eu acredito que o fácil acesso às armas por civis e a permissão de portá-las em alguns Estados fazem com que pessoas com distúrbios psicológicos consigam mirabolar planos violentos ou ainda agir armado por impulso.

Há quem fale que quem mata pessoas são pessoas e não armas. Mas qual a função destas se não machucar outro indivíduo? Muitos americanos se sentem indefesos sem arma. Mas esta sensação é totalmente falsa. Além disso, se outros não tiverem armas, de quem será preciso se defender? Eu sei que a situação é mais complexa do que esta e que o processo do desarmamento é difícil e delicado. Mas ele tem que existir. Só assim os nossos filhos e netos estarão livres da “cultura de guerra civil” e destes crimes cometidos por loucos.

(coluna escrita por mim e publicada na edição de janeiro de 2013 da revista valeparaibano)

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