February4
Por Alice Lobo
Anteontem tive um almoço muito gostoso. Fui conhecer o produtor de vinhos naturais francês Phillipe Pacalet. Quando digo “natural” me refiro ao cultivo da uva e maneira de vinificação e produção geral. Tudo no seu chateau é feito de maneira artesanal. Até o engarrafamento e a colocação das rolhas são feitos um a um. E mais, ele somente adiciona sultifos se for necessário e sempre em quantidade mínima, diferente do que faz a maioria dos produtores. O resultado é um vinho saboroso e muito fácil de beber. E mais, que não dá dor de cabeça (já que os sulfitos são responsáveis pelo “mal à la tête” após o consumo).

Seu estilo de vida sempre foi muito ligado à terra e à natureza. Ele ressalta que é importante os consumidores saberem que existem duas vertentes de produtores de vinhos (o que não quer dizer que alguma dela esteja errada ou seja pior que a outra. É somente uma constatação). A primeira, da qual Phillipe faz parte, reúne aqueles que amam o vinho e trabalham com o coração, por paixão. Para quem a vinicultura é uma arte. E isso dá para ver pela cara que ele degusta uma de suas “criações”. Aí eu constato: Vinho é feito para dar prazer.

A segunda é composta por pessoas que fazem do vinho um business, que querem somente ganhar dinheiro com isso e garantir maior produtividade. Eles não têm uma relação íntima com a terra e com o processo de produção. São empresas que normalmente usam altas doses de conservantes químicos, bem como fertilizantes e pesticidas sintéticos no manejo da uva. Esta vertente foi responsável por disseminar o consumo do vinho, pois ela consegue fazer produtos mais baratos e, portanto, acessível a um maior número de pessoas.
Apesar de Phillipe fazer parte do grupo de produtores “naturais” (uma vertente na França que segue os conceitos dos produtos orgânicos desde o cultivo da uva até o produto final), ele não conta com nenhuma certificação. “Não existe vinho orgânico. O que existem são uvas orgânicas”, diz ele. Isso se aplica às leis europeias. Mas a boa notícia é que por aqui podemos sim ter vinhos orgânicos.
O IBD já faz a certificação de todo o processo de que recebe um selo de “vinho orgânico”. “Existe sim vinho orgânico, inclusive, existe vinho biodinâmico. A certificação compreende desde os insumos utilizados para a produção, a produção em si até o processamento e comercialização. Ou seja, existem critérios de avaliação para todas as etapas da cadeia produtiva que atendem as normas orgânicas ou biodinâmicas” explica Tom Vidal, gerente comercial do IBD. O Tom sempre me ajuda com as dúvidas técnicas que tenho. “Merci” por mais este esclarecimento, Tom.
Voltando ao almoço, fomos ao Piselli (aliás, que delícia a massa com ragu de pato e a entrada de camarão que comi! Ambos harmonizados, claro) e tudo estava muito agradável e com a mesa cheia de gente legal. Além do Phillipe e da sua mulher Monica (uma brasileira), estavam Mayra Oliveira (assessora de imprensa), a Juliana La Pastina (do marketing da WorldWine) e o Jacques Trefois (consultor de vinhos naturais da WorldWine).
